Com a crise no Brasil e a recuperação do Japão, cresce número de imigrantes nikkeis. Apenas duas empresas maringaenses já embarcaram 300 pessoas este ano

Por: - 29 de maio de 2018
Indústrias lideram retomada de empregos em Maringá / Reprodução

Diante da crise econômica nacional e das dificuldades para encontrar trabalho, há uma nova onda de imigração do Brasil para o Japão. O movimento é incentivado pelas oportunidades de trabalho diante da recuperação do país asiático depois da crise de 2008.

Maringá, como cidade de grande colônia nikkei e cidade-irmã de Kakogawa, não foge à regra. Entre 2014 e 2016, o número de vistos emitidos para descendentes e cônjuges aumentou 145%, sendo 11,5 mil apenas em 2016.

Em 2009, o menor dos últimos 10 anos, foram 1,7 mil emissões. Os dados são do Ministério das Relações Exteriores do Japão. A maior parte dos vistos mais recentes é para quem sai do Brasil para trabalho e, para isso, contratam agências de empregos.

São essas agências que encontram oportunidades em empresas nipônicas parceiras e fazem o trabalho de seleção do trabalhador e providencia os documentos da burocracia para a imigração.

As agências Work Japan e Itiban, com matriz em Maringá e atuação em todo o Brasil, estimam que, em 2018, cada uma providenciou a mudança de país para cerca de 35 pessoas por mês – os serviços foram contratados em Maringá. De janeiro a maio, seriam mais de 300 pessoas.

Com parcerias com empreiteiras e empresas dos setores de alimentos, autopeças e eletrônicos, as agências recebem o contato do interessado e, com base no perfil e na preferência, direcionam os currículos. Num segundo momento, acompanham a entrevista.

Quando a resposta é positiva para um contrato de trabalho, as agências dão entrada no pedido de visto, agendam passagem e podem inclusive conseguir residência no Japão.

O preço aproximado para isso varia entre 220 mil e 350 mil ienes e que, convertido em reais, seria o equivalente a uma faixa entre R$ 7,3 mil e R$ 11,75 mil. As empresas podem financiar o valor, que é quitado por desconto direto no salário recebido.

Imigrantes têm perfil diferente da década passada

A gerente da Work Japan, Daiane Sumiya, disse que é muito importante para o candidato a imigração conversar com a família sobre a decisão. “Não é fácil ficar rico indo para lá, precisa ter cuidado para quem quer cuidar da família”, falou.

Para ela, é importante que exista um planejamento para quem decide levar os filhos. “Não é em qualquer época que dá para matricular. Ajudamos nisso, mas é preciso ter consciência que é preciso estar presente junto à família e não se submeter a jornadas maiores de trabalho”, explicou.

O diretor da Itiban, Kleber Ariyoshi, contou que um fator importante para o novo planejamento com a família é dependente da inflação do país.

“O preço das coisas não mudou quase nada em quase 20 anos, nem de despesa e nem de salário. A diferença é aqui, então não dá para pensar que vai e volta em dois anos com dinheiro. Hoje é mais importante levar a família toda para viver no Japão”, disse.

Ele também destacou a grande mudança que aconteceu a partir de 2008. “Até a crise, eram cerca de 400 agências em São Paulo, hoje não deve chegar a 20. Mas a necessidade por mão-de-obra está fazendo até mesmo que as empresas japonesas venham buscar as agências brasileiras”.

Nas duas agências a informação é de que a procura está maior entre jovens, na faixa dos 25 anos, e que são da 3ª geração de descendentes. Em breve, uma mudança deve impulsionar mais viagens: o governo japonês anunciou que será concedido vistos para descendentes da 4ª geração, os yonsei, a partir de julho de 2018.

Para novas perspectivas, a esperança é compartilhada. Para Daiane, “a tendência é aumentar ainda mais o nosso trabalho”, enquanto Kleber destaca que “com as Olimpíadas em Tóquio a necessidade é cada vez maior e os brasileiros terão mais oportunidades”.

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