Na Justiça, Fiep chama mudança no feriado do aniversário de Maringá de “populismo legislativo” e estima R$ 16 milhões em perdas

Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) ingressou, na segunda-feira (20), com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) para pedir a suspensão dos efeitos da lei aprovada pela Câmara de Maringá no dia 14 de abril. No processo, entidade fala sobre uma suposta “insegurança jurídica” gerada pelo fato da cidade tentar comemorar o aniversário de fundação em uma “data fictícia”.

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    Em uma ação na Justia, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) chamou de “populismo legislativo” a lei aprovada pela Câmara de Maringá e já sancionada pela Prefeitura que alterou a comemoração do feriado de aniversário da cidade. A entidade ingressou na segunda-feira (20) com uma Ação Direta e Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), solicitando uma medida cautelar suspendendo os efeitos da lei.

    O judiciário ainda não intimou as partes citadas para prestar esclarecimentos e nem tomou qualquer decisão sobre o processo. Além da Fiep, a Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim) também buscou o poder judiciário para barrar a alteração. O Maringá Post teve acesso ao processo conduzido pela Federação das Indústrias.

    No documento, a Fiep sustenta que a lei aprovada pelo legislativo local no dia 14 de abril é inconstitucional. O órgão cita a Constituição Federal para argumentar que os municípios só tem competência para “criar feriados” que se tratem de celebrações religiosas ou civis, o que não seria o caso do aniversário de Maringá. Conforme sustenta a Federação na ADI, celebrações relativas a aniversários de fundação dos municípios já são previstas pela União, não podendo ser alteradas.

    No processo, a Federação das Indústrias do Paraná argumenta que transferir a celebração do dia 10 (data real do aniversário) para o dia 11 cria uma “ficção jurídica sem justificativa constitucional válida, o que gera insegurança jurídica ao permitir que fatos históricos objetivos sejam alterados por conveniência administrativa e populismo legislativo”.

    “Permitir que essa data seja alterada por conveniência administrativa e populismo legislativo seria equivalente a permitir que um Estado alterasse sua data de independência ou que um país alterasse sua data de fundação, algo manifestamente incompatível com o Estado de Direito e com a memória que se quer preservar”, diz a Fiep em um trecho da ação.

    A Fiep também cita insegurança jurídica pelo fato do calendário ter sido alterado a poucos dias do feriado. “Por certo, o desenvolvimento da atividade empresarial necessita de um ambiente minimamente previsível, situação que não ocorre no caso em tela, na medida que o Município muda a regra do jogo em menos de 20 dias. A sociedade e os empresários já haviam se preparado para organizar a sua atividade produtiva, sem que o feriado da Data Magna do Município ocorresse em dia útil”, argumenta.

    Conforme a entidade de classe, somente o setor da Indústria em Maringá teria perdas estimadas de R$ 16 milhões com a alteração do feriado. O montante total seria de R$ 72 milhões, conforme um levantamento realizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem) e anexado no processo. A compensação, de aproximadamente R$ 9 milhões estimada pelo estudo com atividades de lazer seria insuficiente para compensar a queda de arrecadação do setor produtivo neste dia.

    Procurada pela reportagem, a Fiep informou que ainda aguarda a movimentação da matéria no judiciário.

    “Meu compromisso não é com as entidades”

    Nos bastidores da Câmara, o clima é de nada deve mudar. O Maringá Post conversou com vereadores na sessão desta quinta-feira (23), que sinalizaram que ninguém deverá protocolar um pedido de revogação da lei, pelo menos no legislativo.

    Na quarta-feira (22), a Câmara de Maringá emitiu um comunicado defendendo a autonomia dos poderes, a representação popular dos vereadores e reforçou que o projeto seguiu todo o processo legal antes de ser votado. No mesmo dia, a Prefeitura também se manifestou, afirmando que sancionou a lei em respeito ao trabalho do legislativo e que permanece aberta ao diálogo.

    Ao Maringá Post, o vereador Willian Gentil (PP) afirmou que não pretende mudar de posição sobre a matéria e que busca defender os interesses dos trabalhadores.

    “Minha posição é a mesma desde o início. Não vou voltar atrás, se chegar alguma decisão da Justiça a gente tem que acatar, mas adiantando que eu, particularmente, continuo ainda persistindo na voz do trabalhador, no que é de direito deles. É um questionamento que cabe, a Associação Comercial está fazendo a parte dela, mas eu não tenho compromisso nenhum com a Associação Comercial e com nenhuma dessas entidades que estão aí. O meu compromisso é com o trabalhador, não com a classe empresarial”, disse.

    Entenda a polêmica

    A iniciativa prevê tornar fixa a comemoração na 2ª segunda-feira de maio, mesmo em casos onde o dia 10, que é a data do feriado, caia no domingo. Até então, toda vez que o dia 10 caísse em um sábado ou domingo, o feriado era mantido na mesma data, sem alteração para a segunda-feira. O projeto é de autoria do vereador Willian Gentil (PP).

    A Acim já havia se manifestado contra a proposição desde que ela passou pela primeira discussão, no dia 9 de abril. Naquela semana, a Associação Comercial chegou a publicar uma nota citando que o feriado na segunda-feira seria responsável por R$ 63 milhões em perdas ao comércio local. No dia 14, quando a proposta foi aprovada em placar apertado, empresários foram até a Câmara e vaiaram o autor do projeto.

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