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O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), oficializou sua renúncia ao cargo nesta segunda-feira (23).
O anúncio, feito durante uma cerimônia com aliados, ocorre menos de 24 horas antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar o julgamento que pode cassar seu mandato e torná-lo inelegível por oito anos devido a supostos desvios de dinheiro da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj).
Em seu discurso de despedida, Castro afirmou que deixa o posto “de cabeça erguida” e que a decisão visa focar em sua pré-candidatura ao Senado Federal. No entanto, nos bastidores e na oposição, a manobra é lida como uma tentativa jurídica de esvaziar o processo no TSE, sob o argumento de que a perda do objeto (o cargo) poderia interromper a ação de cassação.
A saída de Castro cria um cenário excepcional da política do Rio de Janeiro. Isso porque o antigo vice-governador, Thiago Pampolha, renunciou em maio de 2025 para assumir uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
Pela hierarquia, o cargo deveria ser assumido pelo presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar. Porém, ele foi afastado da presidência por questões judiciais.
Agora, quem assume o governo do Rio de Janeiro interinamente é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), desembargador Ricardo Couto.
Seguindo a Constituição Estadual, a Alerj deverá convocar uma eleição indireta em até 30 dias para escolher quem governará o estado até o fim de 2026.
O prefeito do Rio e adversário político de Castro, Eduardo Paes (PSD), criticou duramente a renúncia nas redes sociais, classificando o ato como uma “fuga da Justiça”.
Enquanto isso, o grupo político de Castro tenta viabilizar o nome de Douglas Ruas (PL), ex-secretário de Cidades, para o mandato-tampão, visando manter o controle da máquina pública para o pleito de outubro.
O julgamento no TSE está agendado para esta terça-feira (24), com o placar atual de 2 a 0 pela condenação de Castro.
Especialistas indicam que, mesmo com a renúncia, a corte eleitoral pode prosseguir com o julgamento para decidir sobre a inelegibilidade do agora ex-governador.









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