Prefeitura de Maringá volta a adquirir metodologia que promete ensinar crianças a ler em quatro meses

Contrato sem licitação, firmado com empresa de Brasília ao custo de R$ 4,4 milhões, foi publicado no Portal da Transparência no começo do mês. Metodologia havia sido alvo de procedimento no Ministério Público em 2025. Município cita “evidências concretas de aprendizagem dos estudantes” para justificar contratação pelo segundo ano consecutivo.

  • Tempo estimado de leitura: 4 minutos

    A Prefeitura de Maringá irá pagar R$ 4,4 milhões em uma metodologia que promete tornar crianças do ensino fundamental em leitoras fluentes em um período de apenas quatro meses. No começo de março, o município firmou, sem licitação, um contrato com uma Editora de Brasília para a aplicação do “Método IntraAct”. Os documentos estão disponibilizados no Portal da Transparência.

    A empresa do Distrito Federal é a responsável pela distribuição dos materiais didáticos e do treinamento dos docentes para aplicação do método no Brasil. O valor da contratação engloba materiais didáticos para quase 8 mil alunos dos 1º e 2º anos do fundamental, além de treinamento online para mais de 300 professores.

    A metodologia, que consiste na memorização de palavras por meio da repetição, é a mesma que o município já havia contratado, também sem licitação, em 2025. Na época, o valor desembolsado foi de R$ 4,7 milhões.

    Na ocasião, a Prefeitura citou a baixa eficiência dos estudantes da rede pública na chamada Avaliação de Fluência Leitora (Final) aplicada pelo CAED, em 2024, para justificar a necessidade de uma nova metodologia de ensino. Em sua página na internet, o IntraAct Brasil afirma que, com o método, “80% dos alunos aprendem a ler em 4 a 5 meses com até 1 hora de ensino diário”. Em 1 ano, “80% das crianças estão alfabetizadas”.

    Ainda em 2025, o Ministério Público do Paraná chegou a recomendar que a Prefeitura suspendesse a contratação por considerar frágeis os argumentos utilizados pelo Executivo para firmar o contrato. O procedimento, no entanto, foi arquivado pelo próprio órgão de fiscalização.

    Para 2026, o argumento da Prefeitura de Maringá é de que os resultados apresentados com o método, no ano anterior, foram satisfatórios. Em contato com a reportagem, a Secretaria Municipal de Educação (Seduc) afirmou que houve “avanço significativo no desempenho dos alunos” no último ano. Leia a nota do Executivo na íntegra:

    “A Secretaria de Educação informa que a decisão pela continuidade das metodologias adotadas na rede está fundamentada em evidências concretas de aprendizagem dos estudantes. Dados da Avaliação de Fluência Leitora, realizada pelo Governo do Estado, demonstram avanço significativo no desempenho dos alunos: o Índice de Fluência Leitora (IFL) evoluiu de 6,5 em 2024 para 7,3 em 2025.

    Além disso, houve ampliação do percentual de estudantes classificados como leitores (iniciante e fluente), passando de 82,3% para 84,1%, com destaque para o crescimento expressivo dos leitores fluentes, que saltaram de 26% para 42%.

    Esse resultado é fruto de um conjunto de ações pedagógicas implementadas de forma articulada na rede municipal, que incluem o uso de diferentes metodologias de alfabetização baseadas em evidências. Dentre elas, destaca-se o IntraAct, sistema de ensino desenvolvido na Alemanha e fundamentado em princípios da neurociência aplicada à aprendizagem, que contribui como uma das estratégias de apoio ao processo de alfabetização.

    Paralelamente, o município segue avançando no fortalecimento de sua política de alfabetização com a implementação do Alfabetômetro, uma ferramenta de monitoramento contínuo da fluência leitora dos estudantes dos 1º e 2º anos. A iniciativa permitirá acompanhamento mais preciso da evolução das aprendizagens, subsidiando intervenções pedagógicas mais ágeis e eficazes”.

    Comentários estão fechados.