Sucessão e bastidores: Sidnei Telles analisa a “nova era” sob o comando da vereadora Majô

Parlamentar relembra período em que assumiu a presidência interina em 2025 e avalia as mudanças na gestão do Legislativo

  • A Câmara Municipal de Maringá atravessa um período de transição em seu perfil de liderança e gestão administrativa. Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, o vereador Sidnei Telles (Podemos) detalhou os bastidores da sucessão na Casa e analisou as diferenças entre o estilo clássico de Mário Hossokawa e a nova gestão da vereadora Majô Capdeboscq (PP), que assumiu a presidência com um foco em modernização e estrutura.

    Telles relembrou o momento delicado em 2025, quando, na condição de primeiro vice-presidente, precisou assumir o comando do Legislativo de forma interina após o afastamento jurídico de Hossokawa. “Foi uma experiência extraordinária para mim, porque além de eu ter que tomar conta da casa, vi que a gente tinha condições”, afirmou. 

    O vereador, porém, criticou o regimento interno da cidade, que não permite que o vice assuma definitivamente. “Maringá é uma das pouquíssimas cidades onde o vice não assume de verdade como presidente, ele assume só interinamente. O correto é assumir na falta do presidente”, defendeu.

    O impasse do gabinete e a relação com Hossokawa

    Durante a interinidade, Sidnei Telles viveu uma situação inusitada: o presidente afastado, na expectativa de retornar ao cargo por decisão do STF, optou por não deixar o gabinete da presidência. “Eu achei que isso era uma coisa de menor importância para discutir. Eu teria saído, mas cada um faz o que acha melhor”, revelou Telles, que continuou despachando de seu gabinete original.

    Apesar do desconforto administrativo da época, Telles fez questão de elogiar a trajetória do colega. “Eu tenho um reconhecimento pela história extraordinária do vereador Mário Hossokawa (…) ele é um parlamentar mesmo, é um homem que deixa os setores poderem atuar”, destacou, garantindo que a relação entre ambos permanece democrática e amistosa.

    Gestão Majô: juventude e estrutura

    Sobre a atual presidência, ocupada pela vereadora Majô, Telles descreveu uma mudança significativa de ritmo e visão. “Ela tem uma administração muito distinta da que vinha sendo feita pelo vereador Mário Hossokawa. Ela entrou com uma juventude, com a visão mulher, com uma visão diferente do Legislativo, de que o Legislativo deveria estar mais encorpado, com mais estrutura”, analisou.

    Para o parlamentar, o novo modelo ainda está em fase de maturação. “É a juventude também, a modernidade, ser mulher. Ela está fazendo essa gestão com esse novo rosto. Eu acho que na medida em que ela for temperando com a experiência, vai ser exitoso”, ponderou Telles, reforçando que tem dado apoio para que a atual presidente realize seu trabalho.

    A dor da cassação de mandato

    O clima no Legislativo também foi marcado por um episódio histórico em 2025: a cassação do mandato da vereadora Cris Lauer, processo no qual Telles foi o relator. Ele descreveu o dever como uma “infelicidade” do sorteio, mas destacou o rigor técnico de seu relatório.

    “Para mim é um momento de muita tristeza, não vejo isso como algo que a gente deva se orgulhar não. Muito pelo contrário, momento de muita dor”, desabafou. No entanto, o vereador defendeu a soberania da lei sobre a eleição popular em casos de irregularidades. “Não sou aquele que defende que porque o povo elegeu ninguém pode tirar, porque senão a pessoa tem uma carta branca para fazer o que quiser e fazer coisas erradas”, concluiu.

    A entrevista completa com o vereador Sidnei Telles está disponível no podcast Ponto a Ponto, no canal do Maringá Post no YouTube. Apresentação: Ronaldo Nezo; produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio. 

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