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O Paraná registrou 3.764 internações por envenenamento nos últimos dez anos, segundo levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede), divulgado nesta segunda-feira (8). O estado lidera os casos na região Sul e aparece entre os que mais concentram ocorrências no país.
No mesmo período, o Brasil somou 45.511 internações em emergências da rede pública. A média equivale a 4.551 casos por ano — cerca de 379 ao mês e 12 por dia. Isso significa que, a cada duas horas, uma pessoa precisou de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) em decorrência da ingestão de substâncias tóxicas.
Intoxicação proposital
Do total de internações, 3.461 foram classificadas como intoxicações intencionais causadas por terceiros. O Paraná registrou 289 ocorrências desse tipo, ficando atrás apenas de São Paulo (754), Minas Gerais (500) e Pará (295). Estados como Goiás (248), Bahia (199), Rio de Janeiro (162) e Santa Catarina (153) aparecem logo em seguida.
Substâncias mais comuns
Os envenenamentos mais frequentes envolvem drogas, medicamentos e substâncias biológicas não especificadas (6.407 casos), produtos químicos não identificados (6.556) e substâncias químicas nocivas (5.104).
Nos episódios acidentais, analgésicos e remédios usados contra dor, febre e inflamação lideram o ranking, com 2.225 registros. Também estão entre as principais causas pesticidas (1.830), álcool (1.954) e anticonvulsivantes, sedativos e hipnóticos (1.941).
Panorama regional
O Sudeste concentra quase metade dos casos do país, com mais de 19 mil ocorrências, sendo São Paulo o estado com maior número absoluto (10.161). Minas Gerais registrou 6.154.
O Sul ocupa a segunda posição nacional, com 9.630 internações. Além do Paraná, que lidera na região, o Rio Grande do Sul teve 3.278 e Santa Catarina 2.588.
No Nordeste foram 7.080 casos, no Centro-Oeste 5.161 e no Norte 3.980.
Perfil das vítimas
A maior parte dos registros envolve homens (23.796). Jovens de 20 a 29 anos (7.313 casos) e crianças de 1 a 4 anos (7.204) aparecem como os grupos mais afetados. Bebês de até 1 ano e idosos acima dos 70 anos estão entre as faixas etárias com menos ocorrências.
Casos recentes
O levantamento foi divulgado após episódios de grande repercussão no país. Em dezembro de 2024, três pessoas de uma mesma família morreram em Torres (RS) após consumir um bolo contaminado com arsênio.
Em janeiro de 2025, cinco pessoas morreram em Parnaíba (PI) após comer alimentos misturados a inseticida durante uma ceia de Réveillon. Já em abril, duas crianças perderam a vida em Imperatriz (MA) depois de ingerirem um ovo de Páscoa envenenado. No mesmo mês, em Natal (RN), uma bebê de 8 meses morreu após consumir açaí adulterado entregue como presente.








