Cinco autoras para acompanhar e entender o movimento feminista negro

O movimento Black Lives Matter (Vidas Pretas Importam) causou uma série de questionamentos – não novos à nossa sociedade, vale dizer – sobre o avanço e a contenção do racismo no mundo, em especial após a morte de George Floyd e os protestos ao redor do mundo. Para além do racismo, estão também atreladas as questões de gênero com teor racial, pauta muito explorada pelo movimento feminista negro, em especial em um país como o Brasil.

Existe uma carga de preconceito, muitas vezes dupla ou tripla, destinada a mulheres negras. Esse tipo de preconceito, que na maior parte das vezes pode passar despercebido por algumas pessoas, coexiste com o racismo velado nas escolhas e preferências do dia a dia, resultado de uma visão da sociedade perante às mulheres pretas. 

Uma forma de refletir sobre o racismo – que é presente na sociedade brasileira e precisa ser colocado cada vez mais em evidência – é ter alcance à cultura negra, que por vezes não está disponível para acesso ou é pouco reconhecida em virtude de uma sociedade inserida em um contexto racista.

Por meio da literatura, cinematografia e da informação produzida por essas pessoas, é possível entender o movimento Vidas Pretas Importam, além de contribuir para sua disseminação e resistência. E, para entender de fato o racismo e suas consequências, as pessoas brancas precisam ter interesse. 

Sendo assim, separamos cinco autoras negras famosas e estudadas nas principais faculdades de letras do país para debater as questões raciais e de gênero, conhecer e ampliar a quantidade de autoras reconhecidas. Confira!

Angela Davis

Filósofa contemporânea estadunidense e participante ativa na época dos Panteras Negras, Angela Davis é uma das escritoras negras de maior relevância ainda vivas e produtivas. Seus textos são focados em estudos sobre o feminismo negro em todo o mundo e coloca em evidência a questão de raça, classe e gênero inserida na sociedade em que vivemos. Angela Davis veio ao Brasil em 2019 em um evento aberto na cidade de São Paulo (SP), dentro do Parque Ibirapuera, para falar sobre seus estudos. Ela tem contato direto com escritoras negras brasileiras e ciência da questão do racismo no Brasil.

Títulos famosos: Mulher, Raça e Classe; A liberdade é uma luta constante; Mulheres, cultura e política.

Chimamanda Ngozi Adichie

Autora feminista nigeriana, Chimamanda é uma das escritoras anglófanas jovens mais repercutidas na atualidade. Além de trazer para a pauta a questão de gênero e raça, a autora também traz a um contexto global as questões políticas da Nigéria e do continente africano. Chimamanda é mestre em arte em estudos africanos pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos. 

Títulos famosos: Para educar crianças feministas; O perigo de uma história única; Hibisco Roxo; Sejamos todos feministas. 

Conceição Evaristo

A mineira Conceição Evaristo é uma das autoras brasileiras de peso que falam sobre a questão racial e de gênero dentro do Brasil, em um olhar mais voltado ao país em que vivemos e suas problemáticas únicas. Vinda de origem humilde, Conceição foi a primeira a ter um diploma de ensino superior em sua família. Em 1990, alcançou o mestrado em Literatura Brasileira e, em 2010, formou-se doutora em Literatura Comparada. 

Suas obras foram agraciadas com o Prêmio Jabuti de Literatura 2015 – Faz a Diferença –, na categoria Prosa 2017, e com o Prêmio Cláudia, na categoria Cultura 2017.

Títulos famosos: Ponciá Vicêncio; Canção para ninar menino grande; Becos da Memória.

bell hooks 

A estadunidense Gloria Jean Watkins, conhecida pelo pseudônimo bell hooks, criado em homenagem à bisavó, é uma das mais importantes autoras da atualidade para falar sobre as questões de gênero, classe e raça. Mestre e doutora, bell hooks exprime as principais consequências e o mecanismo das relações sociais opressivas não apenas para a sociedade, mas também para a cultura de forma geral. Já publicou mais de 30 livros de gêneros diversos – entre eles, poesias, teorias, memórias e até livros infantis.

Títulos famosos: Erguer a voz: pensar como feminista, como negra; O Feminismo é para Todo Mundo: políticas arrebatadoras; Olhares Negros: raça e representações.

Djamila Ribeiro

Conhecida por ser uma “filósofa pop” brasileira, Djamila Ribeiro é autora, colunista na Folha de São Paulo, professora de jornalismo da PUC-SP e foi secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo em 2016, durante a gestão de Fernando Haddad. O título de “filósofa pop” vem em decorrência do ativismo por meio das redes sociais, canal no qual Djamila é bastante famosa. De acordo com a organização das Nações Unidas, ela está entre as 100 pessoas mais influentes do mundo abaixo dos 40 anos.

Mestre em filosofia política, Djamila tem como principal tema abordado em suas obras o feminismo com enfoque racial. Foi agraciada com o Prêmio Jabuti de Ciências Humanas em 2018 e 2020.

Títulos famosos: Lugar de Fala; Pequeno Manual Antirracista; Quem tem medo do feminismo negro?.

Iniciativa feminina

Para quem busca companhia nas leituras, em Maringá existe o clube “Quilombo de leituras negras”, criado por três mulheres negras com o intuito de difundir a literatura dessas autoras. O nome do clube surgiu da ideia de coletividade, acolhimento e fortalecimento.

De acordo com a socióloga Eliane Oliveira, uma das organizadoras do projeto, a premissa é romper com a lógica estrutural que colocou as mulheres negras em posições inferiores na sociedade.

Os encontros são mensais e realizados via Facebook.  

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