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A defesa do secretário de Fazenda de Maringá, Carlos Augusto Ferreira, solicitou para a Polícia Federal (PF) o acesso aos áudios supostamente citados no inquérito da Operação Mafiusi, na qual foi alvo de mandado de busca e apreensão no dia 16 de outubro. Em coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (24), Ferreira voltou a reforçar a tese apresentada no fim de semana: a de que foi confundido com outra pessoa na investigação que apura um suposto esquema de narcotráfico internacional.
De acordo com o secretário de Fazenda, que está afastado das atividades no serviço público, o número de telefone que aparece nas trocas de mensagens anexas ao inquérito – onde Carlos, supostamente, teria conversado com um dos investigados – pertence, na verdade, a outro Carlos: trata-se de Carlos De La Cruz Hipólito, sócio da Pinbank, fintech de crédito na qual Carlos Ferreira prestou serviços.
O número que aparece no inquérito é registrado em nome de Hipólito em um endereço de Miami-EUA, conforme documentos obtidos pela reportagem. O endereço é o mesmo em que o então sócio da Pinbank tem registrada uma mansão, avaliada em pouco mais de US$ 4 milhões.
Conforme Carlos Augusto Ferreira, o acesso aos áudios poderia permitir que peritos contratados pela defesa pudessem fazer o confronto das vozes. O pedido, até o momento, não foi acatado pela PF. Ainda segundo o secretário de Fazenda, os áudios não aparecem mais quase 9 mil páginas de inquérito que seus advogados tiveram acesso.
“E uma coisa muito curiosa, vocês que são jornalistas sabem, toda vez que tem um áudio de alguma coisa, eu já vi, eu assisto e vejo, aparecem as pessoas falando e do lado escrito (nas transcrições). E não aparece o áudio de nenhuma outra maneira. Nós estamos solicitando o áudio, exatamente para que a clínica que for contratada possa fazer uma avaliação. […] Olhar 8.900 páginas de documentos de toda a natureza, tem outros aqui, leva tempo. E nós não encontramos o áudio na nossa solicitação”, disse.
Reforçando a inocência, Ferreira afirmou que solicitou junto à Polícia a devolução dos carros apreendidos. Com o desgaste gerado pelo possível erros das autoridades, ele ponderou que ainda analisa o seu retorno para a vida pública, mas reforçou acreditar nas instituições.
“Eu já tenho uma petição pronta para solicitar a evolução dos meus pertences. […] Não cabe a mim fazer isso (adiantar o retorno à SeFaz), eu ainda estou dedicado às investigações e eu quero algo. Não preciso provar mais do que está provado. Se o prefeito disponibilizar, eu acho que o trabalho que eu estou fazendo é muito bom para a cidade. Eu tenho filhos e netos aqui. Eu queria que eles crescessem em um ambiente maravilhoso. Nós viemos para cá por excesso de assaltos e violência em São Paulo. Meus filhos estão criando meus netos aqui, eu adoraria poder ajudar. Mas se não for a vontade do prefeito e se a cidade não sentir alguma qualificação, paciência. Não sei ainda (se volto), eu vou pensar”, resumiu.
Procurada pela reportagem, a Polícia Federal não se manifestou sobre o assunto.









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