Do curso de churrasco à chefia do negócio: a autonomia financeira como vacina contra a violência

No Ponto a Ponto, Olga Agulhon defende que “dinheiro no bolso” evita agressões e conta o caso da mulher que assumiu o restaurante do marido após qualificação.

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    Muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos não por amor, mas por necessidade. Sem renda própria e com filhos para criar, elas toleram a violência caladas. Para a Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres de Maringá, a melhor prevenção é a carteira assinada ou o próprio negócio.

    Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, a secretária Olga Agulhon foi categórica: a qualificação profissional é uma estratégia de defesa. “Quando a mulher entra nesse universo e começa a ganhar o seu dinheiro, ela percebe que não precisa aceitar qualquer coisa”, afirmou.

    A pasta investiu pesado em cursos profissionalizantes através dos projetos “Qualifica Mulher” e “Feito por Elas”. Não são apenas aulas de artesanato; são formações que mudam a dinâmica familiar.

    A dona da grelha

    Para ilustrar o impacto dessa política, Olga contou ao jornalista Ronaldo Nezo uma história curiosa que presenciou. Uma das alunas se inscreveu no curso de churrasqueira — uma área tradicionalmente dominada por homens.

    O motivo? O marido havia comprado um restaurante com churrasqueira, mas não sabia operá-la. A mulher fez o curso, aprendeu as técnicas, assumiu a grelha e reformulou o cardápio.

    “Hoje, ela é a protagonista do negócio”, celebrou a secretária. Segundo Olga, casos como esse se multiplicam pela cidade, provando que a independência financeira é a porta de saída mais eficiente para o ciclo da violência doméstica.

    O episódio completo, onde Olga Agulhon aprofunda essas lições de gestão e conta bastidores inéditos da rede de proteção, está disponível no YouTube. O programa é uma produção do Jornal Maringá Post em parceria com o VMark Estúdio, com apresentação do jornalista Ronaldo Nezo.

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