Tempo estimado de leitura: 3 minutos
Maringá mantém hoje uma estrutura de segurança máxima para mulheres marcadas para morrer. A Casa Abrigo, de endereço sigiloso e funcionamento 24 horas, é o último refúgio quando a medida protetiva não basta. O problema é que a conta dessa proteção está ficando pesada apenas para o contribuinte maringaense.
Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, a secretária de Políticas Públicas para Mulheres, Olga Agulhon, expôs um dilema administrativo: a demanda vinda de municípios vizinhos que não possuem estrutura similar.
“Nós já atendemos casos de Sarandi, Paiçandu, Floresta e até Cianorte. Não é uma obrigação legal de Maringá. Mas diante de uma vida em risco, a gente acaba abrindo exceção para salvar aquela mulher”, desabafou a gestora.
Um “bunker” humanizado
A Casa Abrigo não é apenas um dormitório. Olga descreveu ao jornalista Ronaldo Nezo uma estrutura complexa: são suítes para até oito famílias simultâneas, brinquedoteca, cozinha equipada e suporte técnico integral. O local possui segurança reforçada e regras rígidas — celulares são proibidos para evitar rastreamento pelo agressor.
Manter essa operação custa caro. E cidades da região metropolitana frequentemente recorrem a Maringá em momentos de crise, sem contrapartida financeira.
A proposta de rateio
Para resolver o impasse sem negar socorro, a secretária defende a criação urgente de um consórcio ou convênio intermunicipal. A ideia é que prefeituras vizinhas paguem uma “diária” ou uma mensalidade para ajudar a custear o serviço quando suas munícipes precisarem do abrigo.
“Estamos estudando essa possibilidade jurídica. O objetivo é que os municípios vizinhos tenham a garantia do acolhimento, mas colaborem com Maringá”, explicou. Enquanto a burocracia não se resolve, a ordem na Secretaria é clara: nenhuma vida será perdida por questão de CEP.
O episódio completo, onde Olga Agulhon aprofunda essas lições de gestão e conta bastidores inéditos da rede de proteção, está disponível no YouTube. O programa é uma produção do Jornal Maringá Post em parceria com o VMark Estúdio, com apresentação do jornalista Ronaldo Nezo.









Comentários estão fechados.