Mesmo preso, guarda municipal acusado de feminicídio recebeu mais de R$ 16 mil da Prefeitura de Maringá em dezembro

Gerson Rafael Geidellis, de 46 anos, está preso desde o dia 21 de dezembro após se entregar às autoridades, acusado de assassinar a tiros a ex-companheira. Prefeitura de Maringá confirmou pagamento de salários, gratificações e 13º ao agente, que ainda não foi exonerado das funções.

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    O agente da Guarda Municipal, Gerson Rafael Geidellis, de 46 anos, recebeu mais de R$ 16 mil líquidos da Prefeitura de Maringá em dezembro, mesmo após ter sido preso acusado de assassinar a tiros a ex-companheira, Jéssica Daiane Cabral, de 30 anos. O crime foi registrado no dia 20 de dezembro de 2025, enquanto o suspeito foi preso no dia seguinte, após se entregar voluntariamente às autoridades.

    Os dados financeiros do agente foram verificados via Portal da Transparência e confirmados pela Prefeitura de Maringá. Em salários, Geidellis recebeu, bruto, R$ 10.974,88, relativos ao salário-base, horas extras, adicional noturno, adicional por tempo de serviço e adicional de periculosidade. Com os descontos, sobraram R$ 8.885,80 líquidos. O agente recebeu ainda outros R$ 7.361,12 relativos a segunda parcela do 13º salário e outros R$ 194,48 de gratificações. Ele é servidor concursado da corporação desde 2009.

    Por meio de nota enviada à reportagem, a Prefeitura de Maringá informou que o pagamento do 13º foi depositado no dia 10 de dezembro, antes da prisão e “decorre de direito legal, uma vez que o servidor exerceu suas funções por período superior a 15 dias no mês de dezembro de 2025”. Sobre o salário, o município informou que o mesmo também foi depositado no dia 18 de dezembro, antes da prisão do agente e que, por isso, não foi possível “o cancelamento do crédito após esse procedimento administrativo”.

    No mesmo comunicado, a Prefeitura afirma que “repudia de forma veemente o feminicídio de Jéssica Daiane Cabral de Oliveira” e que “o suspeito enfrentará uma pena elevada, conforme prevê a legislação”.

    Gerson Rafael Geidellis ainda consta como servidor ativo na Guarda Municipal de Maringá. Conforme a corporação, “a Corregedoria da Guarda Civil Municipal está com procedimentos administrativos em andamento para apuração interna, que podem resultar na exclusão definitiva do agente dos quadros da corporação, respeitando o devido processo legal”.

    Conforme apurado pela reportagem, o acusado ainda não constituiu defesa no processo. O inquérito na Polícia Civil segue em andamento.

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