Do hiato familiar ao topo da academia: Solange Lopes reflete sobre o valor do recomeço

Reitora compartilha experiência de interromper a carreira por oito anos e defende que transições de vida não devem ser encaradas como fracasso profissional

  • No competitivo mercado de trabalho atual, a interrupção de uma carreira é frequentemente vista com receio ou estigma. No entanto, para a professora doutora Solange Lopes, reitora da Unicesumar, o afastamento temporário das funções profissionais foi o prelúdio de sua maior ascensão. Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, ela discutiu como a decisão de priorizar a família e, posteriormente, retornar aos estudos, moldou sua visão de mundo e de gestão.

    Solange relembrou que, aos 23 anos, tomou uma decisão difícil: pediu demissão de um emprego público federal na Embratel para cuidar dos três filhos, entre eles um casal de gêmeos que enfrentava problemas de saúde. “Os meus filhos eram prioridade naquele momento. E eu fiquei dez anos, oito anos cuidando deles”, revelou ao jornalista Ronaldo Nezo.

    O mito do fracasso no recomeço

    Para a reitora, o sentimento de “fracasso” que muitas pessoas — especialmente mulheres — sentem ao pausar a carreira para cuidar de familiares é um equívoco que precisa ser combatido. Ela utiliza sua própria história para demonstrar que a trajetória profissional não precisa ser uma linha reta e ininterrupta.

    “Muitas pessoas têm dificuldade de enxergar que, às vezes, um hiato não tem nenhum problema e o recomeçar também não tem problema. Há um sentimento muitas vezes de fracasso: ‘eu fracassei, eu não consegui, agora estou começando de novo’. Minha história é bonita por conta disso”, afirmou. 

    Segundo ela, o retorno ocorreu quando os filhos completaram oito anos, momento em que decidiu ingressar no curso de Fisioterapia e iniciar sua jornada acadêmica na Unicesumar.

    Eternos aprendizes

    A chave para um retorno bem-sucedido, segundo Solange, reside na postura mental de abertura para o novo. Ela defende que a acomodação é o único obstáculo real ao crescimento. “Não tem problema começar do zero, desde que você não se acomode. Se você tem vontade, se você está disposto a aprender sempre, o recomeço é só um marco. Nós somos eternos aprendizes”, pontuou.

    Essa mentalidade de aprendizado contínuo a levou da graduação ao doutorado na Unicamp, e de professora substituta à reitoria de uma instituição que hoje figura entre as maiores do mundo sob o guarda-chuva da Vitru Educação. “Quando você tem esse coração de aprender o que a vida está te dando, as oportunidades surgirão”, concluiu.

    Inspiração para jovens e veteranos

    A reflexão da reitora estende-se também aos jovens que sofrem com a pressão por resultados imediatos e aos profissionais maduros que enfrentam demissões ou crises. Para ela, a carreira é feita de marcos e prioridades que mudam com o tempo. A trajetória de Solange serve como um lembrete de que a dedicação e o preparo técnico são capazes de transformar um “hiato” em uma base sólida para voos ainda maiores.

    Serviço

    A entrevista completa, com detalhes sobre sua trajetória e visões sobre o futuro da educação, está disponível no canal do Maringá Post no YouTube.

    Apresentação: Ronaldo Nezo

    Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio

    Comentários estão fechados.