“SAF não é milagre”: gestão é o eixo do projeto do Maringá FC, afirma Rafael Dacome

Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, dirigente do Maringá FC afirma que o modelo SAF, por si só, não garante sucesso e defende a gestão responsável como fator decisivo no futebol.

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    Na contagem regressiva para o início da temporada 2026, o Maringá Futebol Clube aposta na organização administrativa e na gestão profissional como pilares do seu projeto esportivo. A avaliação foi feita por Rafael Dacome, Diretor Jurídico e de Futebol do clube, em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post.

    Durante a conversa, Dacome analisou o cenário do futebol brasileiro e afirmou que a transformação de clubes em SAF não representa, por si só, garantia de sucesso. “O fato de ser associativo ou SAF não quer dizer que você vai ter sucesso ou não. O que manda, de fato, é a gestão”, afirmou.

    O dirigente também fez críticas ao modelo associativo tradicional, especialmente pela ausência de responsabilização financeira. “Em um clube associativo, o dinheiro não tem dono. O presidente está ali de passagem e muitas vezes investe com certa irresponsabilidade”, disse, ao citar o endividamento recorrente de clubes brasileiros.

    Segundo Dacome, a SAF traz um diferencial ao impor maior responsabilidade sobre quem administra. “Quando você transforma o clube em uma empresa em que os responsáveis passam a responder com patrimônio próprio, a coisa muda de cenário”, explicou, destacando que isso exige mais cuidado no uso dos recursos.

    Na visão do dirigente, independentemente do modelo jurídico, o futebol precisa ser tratado como empresa. “Será que não dá para tratar isso com balancetes, DRE, indicadores, KPIs e organização? Funciona”, afirmou, defendendo que os clubes precisam gastar dentro daquilo que arrecadam.

    Dacome também mencionou a necessidade de avanços na legislação esportiva, especialmente no que se refere ao fair play financeiro e à responsabilização por dívidas entre clubes. Para ele, a falta de mecanismos mais eficientes prejudica quem mantém as contas em dia.

    Ao final, o dirigente reforçou que o caminho escolhido pelo Maringá FC passa por decisões menos imediatistas e mais estruturadas. “Quando você honra compromissos e escolhe bem as pessoas, a tendência é que, no médio e longo prazo, os resultados aconteçam”, concluiu.

    A entrevista completa com Rafael Dacome está disponível no canal do Maringá Post no YouTube, no podcast Ponto a Ponto. O episódio é apresentado pelo jornalista Ronaldo Nezo e foi gravado no V Mark Estúdio, parceiro do projeto.

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