Paraná amplia atendimento em saúde mental e registra alta de 19% no SUS

Estado realizou mais de 2,5 milhões de atendimentos em 2025 e fortalece rede com foco na descentralização, prevenção e acolhimento da população

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    O Paraná registrou um aumento de 19% nos atendimentos em saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025. Ao todo, foram 2.551.463 atendimentos realizados no ano passado, contra 2.144.086 em 2024, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). O avanço reforça a estratégia de descentralização do atendimento e o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) em todo o estado.

    A estrutura de cuidado em saúde mental no Paraná tem passado por uma transformação nos últimos anos, com foco na integração entre os serviços, prevenção e fortalecimento do vínculo com a população. A proposta é garantir desde o acolhimento inicial nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) até tratamentos especializados e internações, quando necessário.

    Somente em 2025, o Governo do Paraná investiu mais de R$ 23 milhões diretamente na Linha de Cuidado em Saúde Mental. Os atendimentos contemplam pessoas com sofrimento psíquico, transtornos mentais e também aqueles que enfrentam problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas.

    Para o secretário estadual da Saúde, César Neves, os números mostram o fortalecimento da política pública e o compromisso de levar atendimento mais próximo da população.

    “A saúde mental é uma prioridade absoluta para o Governo do Paraná. Estamos trabalhando incansavelmente para descentralizar o atendimento, garantindo que cada cidadão paranaense, independentemente de onde resida, encontre acolhimento e tratamento adequado na rede pública. O nosso objetivo é que o SUS seja um porto seguro para quem enfrenta qualquer tipo de sofrimento psíquico”, afirmou.

    Atualmente, a rede estadual conta com 163 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), distribuídos em diferentes modalidades, além de sete unidades do Serviço Integrado de Saúde Mental (SIMPR), 41 equipes Multiprofissionais de Atenção Especializada em Saúde Mental (eMAESM), ambulatórios em todas as regiões de saúde e Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT).

    Nos casos que exigem internação, o Paraná disponibiliza 1.651 leitos em hospitais especializados em psiquiatria e outros 73 leitos de saúde mental em hospitais gerais.

    Outro ponto destacado pela Secretaria de Saúde é a chamada transversalidade do cuidado, conceito que integra a saúde mental a outras áreas da assistência, como saúde da mulher, oncologia e acompanhamento de doenças crônicas.

    Segundo a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, o atendimento precisa considerar o paciente de forma integral.

    “A mente e o corpo estão interligados. Precisamos olhar para a pessoa de forma integral, compreendendo que o sofrimento emocional afeta a vida. Nossas equipes estão sendo preparadas para ter essa visão ampla e humanizada em cada atendimento realizado”, destacou.

    A principal porta de entrada para o atendimento continua sendo a Unidade Básica de Saúde (UBS), onde o paciente recebe acolhimento inicial e, se necessário, é encaminhado para Caps, ambulatórios especializados ou outros serviços de maior complexidade.

    Em situações de urgência ou crise, a população também pode procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), acionar o Samu pelo telefone 192 ou buscar atendimento em um Caps com funcionamento 24 horas.

    A chefe da Divisão de Atenção à Saúde Mental da Sesa, Suelen Gonçalo, reforça que o acesso começa pela atenção primária.

    “O ponto de entrada no Sistema Único de Saúde, incluindo problemas de saúde mental, é sempre a unidade básica de saúde. É lá que a pessoa é acolhida e atendida pelos profissionais de saúde”, explicou.

    Além da ampliação da rede física, o Estado também aposta na capacitação profissional. Somente em 2025, mais de 18 mil trabalhadores da Atenção Primária à Saúde foram qualificados por meio do projeto PlanificaSUS Paraná – Saúde Mental na APS, em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein e o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

    O Paraná foi o primeiro estado do Brasil a expandir essa metodologia para 100% do território, fortalecendo a atuação de médicos, enfermeiros e agentes comunitários no reconhecimento e manejo de transtornos mentais.

    Apesar dos avanços, o estigma ainda é um dos principais obstáculos para quem precisa buscar ajuda.

    “Há preconceito em relação aos problemas de saúde mental. As famílias têm papel fundamental nesse processo, principalmente nos momentos de maior vulnerabilidade”, reforçou Suelen.

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