Natal além do consumo: Dom Severino defende resgate da simplicidade e do sentido da celebração

Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, o arcebispo de Maringá reflete sobre como o excesso de consumo e estímulos tem ofuscado o verdadeiro significado do Natal e propõe um retorno à simplicidade, ao cuidado e às relações humanas.

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    As luzes se acendem, o comércio se intensifica e as agendas ficam cheias, mas nem sempre o Natal acompanha esse movimento com silêncio e reflexão. Para o arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, existe um risco cada vez maior de a celebração natalina se tornar apenas um evento comercial, desconectado de seu significado mais profundo. O tema foi abordado em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, do Jornal Maringá Post.

    Segundo Dom Severino, os símbolos externos do Natal — como luzes, enfeites e presentes — não são, por si só, negativos. O problema surge quando esses sinais permanecem apenas no campo visual e não alcançam o interior das pessoas. “Os sinais do Natal são importantes, mas eles precisam tocar o coração, não apenas os olhos”, afirma. Para o arcebispo, sem esse movimento interior, a celebração perde sua força transformadora.

    Na avaliação do religioso, o nascimento de Jesus em uma manjedoura representa justamente o oposto da lógica do excesso. Trata-se de um Deus que se faz presente na simplicidade, na fragilidade e na pobreza. “O Natal cristão fala de uma criança pobre, fora dos centros de poder, que nasce para trazer esperança”, destaca. Para ele, essa mensagem tem sido ofuscada por uma cultura que associa a data a consumo, status e aparência.

    Dom Severino reconhece que o comércio cumpre seu papel social e econômico, mas reforça que cabe às famílias e às pessoas de boa vontade ressignificarem esse contexto. Um presente, por exemplo, pode deixar de ser apenas um objeto comprado às pressas e se transformar em gesto de cuidado, presença e afeto. Nesse sentido, o arcebispo retoma o lema que orienta sua atuação pastoral: acolher e cuidar. “Acolher é importante, mas cuidar é ainda mais”, resume.

    O arcebispo também recorda a tradição franciscana ligada ao presépio, criada por São Francisco de Assis no século XIII, como uma forma concreta de ajudar as pessoas a “verem com os próprios olhos” a humildade de Deus. Para Dom Severino, o presépio continua sendo um símbolo atual justamente por lembrar que o Natal não acontece no luxo, mas na proximidade, na ternura e na convivência.

    Ao final da reflexão, Dom Severino propõe que o Natal seja vivido como uma oportunidade de desacelerar e reencontrar o essencial. Em meio à ansiedade, às cobranças financeiras e ao excesso de estímulos da vida moderna, ele defende que a celebração natalina pode se tornar um tempo privilegiado para fortalecer vínculos familiares, recuperar o diálogo e devolver sentido às pequenas coisas. “Quando o Natal entra no coração, ele muda o rosto, muda o olhar e muda a forma de viver”, afirma.

    Serviço

    A entrevista completa com Dom Frei Severino Clasen integra o episódio especial de Natal do podcast Ponto a Ponto, com apresentação do jornalista Ronaldo Nezo, disponível no canal do Jornal Maringá Post no YouTube.

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