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Em um dos trechos mais importantes da entrevista concedida ao jornalista Ronaldo Nezo, no podcast Ponto a Ponto, Marco Tadeu Barbosa, faz um alerta sobre o ritmo de crescimento de Maringá e sobre a urgência de um planejamento urbano integrado à região metropolitana. Segundo o presidente do Secovi Noroeste, a realidade atual está muito distante da cidade originalmente projetada na década de 1940.
Marco é direto: “Maringá foi planejada para 200 mil habitantes. Já estamos com mais que o dobro disso — e isso sem contar as cidades conurbadas.”
Quando se considera a população de Sarandi, Paiçandu, Marialva e Mandaguaçu, todas conectadas física e economicamente à cidade, Maringá funciona, na prática, como um núcleo urbano de cerca de 600 mil pessoas.
Uma cidade que cresceu mais rápido do que seu desenho urbano
Esse crescimento acelerado cria um conjunto de desafios que ultrapassam a simples questão populacional. Marco, que preside a Câmara Técnica de Urbanismo do Codem, lembra que a expansão desordenada de municípios vizinhos pressiona Maringá por todos os lados: mobilidade, zoneamento, ocupação do solo, transporte coletivo e oferta de serviços.
“Não podemos pensar só em Maringá. Mobilidade urbana tem que considerar as cidades conurbadas. Os traçados não batem, e isso gera conflitos.”
O recorte mostra que o problema não é apenas urbano, mas também logístico. Os municípios menores cresceram com linhas e eixos diferentes dos de Maringá, o que provoca gargalos naturais, especialmente nos acessos.
O trânsito mostra sinais de saturação
Marco cita intervenções estruturais recentes e necessárias, como: Viaduto do Catuaí, reforma da Sinclair Sambat (antigo Contorno Sul), revisão urgente dos trevos de Sarandi e da região da Coca-Cola.
Sobre o trevo de Sarandi, ele é categórico: “Hoje, no horário de pico, é um gargalo enorme. É urgente rever aquele trevo.”
Esse tipo de pressão, diz ele, tende a aumentar conforme novos bairros são lançados nas cidades conurbadas, onde o custo do terreno é menor, mas a mão de obra continua trabalhando — e se deslocando diariamente — para Maringá.
Polo industrial na Zona Sul x mão de obra na Zona Norte
Uma situação crítica é o deslocamento entre zonas opostas da cidade. Enquanto a Zona Sul se desenvolve como polo industrial e logístico, especialmente por causa da proximidade com o aeroporto, a maior parte da mão de obra vive na Zona Norte.
“A Zona Norte concentra muitos trabalhadores. A Zona Sul está virando um polo industrial. Como vamos transportar essas pessoas?”
Essa pergunta ainda não tem resposta definitiva. Para Marco, a cidade precisa pensar a ocupação urbana da região sul não apenas como espaço industrial, mas também como área residencial. Sem moradia próxima ao emprego, o trânsito tende a se tornar ainda mais pesado.
“Tem lugar que não pode ter casa, por causa das indústrias. Mas tem que ter moradia perto. Qualidade de vida é morar, trabalhar e se divertir no mesmo lugar.”
Ele menciona o conceito do Eurogarden — bairro planejado que integra vida, trabalho e lazer — como referência positiva para novos projetos urbanos.
Planejamento integrado: o novo desafio de Maringá
A entrevista reforça que Maringá já não pode se planejar sozinha. O comportamento diário da população — morar em um município, trabalhar em outro, consumir em um terceiro — obriga a cidade a olhar para seu entorno com cuidado.
Essa visão não aparece apenas no discurso; ela faz parte das discussões constantes da Câmara Técnica de Urbanismo, da qual Marco é presidente.
O recorte evidencia uma cidade vibrante, em pleno crescimento, mas que precisa tomar decisões importantes para que essa expansão não comprometa a qualidade de vida que sempre a caracterizou.









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