Tempo estimado de leitura: 3 minutos
A Justiça Federal condenou um indígena pelo desmatamento de 11,5 hectares na Terra Indígena (TI) Mangueirinha, no sudoeste do Paraná. A área destruída equivale a cerca de 16 campos de futebol, segundo o g1 Paraná.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a vegetação nativa, pertencente ao bioma Mata Atlântica, foi convertida para uso agrícola. A TI Mangueirinha abrange áreas de Mangueirinha, Chopinzinho e Coronel Vivida.
A decisão judicial determinou o bloqueio de até R$ 879,2 mil em contas e aplicações financeiras do condenado. O valor corresponde à estimativa dos danos ambientais.
O MPF informou que o desmatamento ocorreu entre 2016 e 2019, na aldeia Mato Branco. Entre as espécies derrubadas estavam araucárias, consideradas ameaçadas de extinção. O cacique local declarou à Justiça que não autorizou as atividades.
Segundo o órgão, a TI Mangueirinha abriga mais de 270 espécies vegetais, incluindo seis classificadas como ameaçadas na lista nacional. A área corresponde à floresta ombrófila mista, um dos ecossistemas mais pressionados do país.
A decisão também obriga o réu a apresentar um Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad) ao Ibama e suspende qualquer atividade agrícola no local.
O cálculo da indenização inclui três componentes: R$ 408,1 mil para restauração da área, R$ 402,4 mil relativos à compensação de carbono e R$ 68,6 mil pela perda de biodiversidade com potencial farmacêutico.
O indígena responde ainda a duas outras denúncias e a uma ação civil pública por desmatamentos anteriores na mesma terra indígena.
Com cerca de 17 mil hectares e oito aldeias das etnias Guarani e Kaingang, a TI Mangueirinha enfrenta pressão histórica por exploração ilegal, conforme o MPF. Pesquisadores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) relataram que, na década de 1990, 22 madeireiras atuavam irregularmente na região.
Um laudo da Polícia Federal registrou 255 alertas de desmatamento entre junho de 2021 e junho de 2025. Segundo o MPF, a atuação conjunta dos órgãos de fiscalização tem reduzido as invasões. Dados do Ibama apontam queda de cerca de 500% no número de alertas e de 87,5% na área desmatada entre outubro de 2024 e outubro de 2025.




