Matrix dezenove anos depois: Ressurrections?

Por: - 3 de janeiro de 2022

Vida longa e próspera!

Se 2022 seguir a tendência de 2021, será um ano excelente para o cinema. Em dezembro tivemos a extasiante estreia do quarto filme da franquia Matrix, uma das franquias que mais amo, uma saga que mudou para sempre o cinema, seria meu presente de natal.

Foram 19 anos de intervalo entre esse novo filme e o último da franquia, Matrix: Revolutions, tempo para criar expectativas, ela crescer bem e saudável, ir para a faculdade, se formar e ter filhos. É claro que é arriscado lançar um novo filme continuação de uma franquia consagrada após quase 20 anos, então a primeira pergunta que se faz é: precisava?

Acontece que Hollywood parece ter descoberto o poder da nostalgia, de tempos para cá virou “moda” fazer remakes e continuações, e tem dado certo na maioria das vezes, afinal o público alvo, que frequenta cinema e consome hoje, são em grande parte os época desses filmes originais, mas vamos relembrar um pouco 2003, lançamento de Matrix Revolutions, enquanto o primeiro foi inovador, tanto em efeitos especiais quanto história, seus sucessores não foram tão originais assim, e mesmo surfando na onda do grande sucesso de Matrix, estavam em declínio.

Ressuscitam a franquia que tinha tido um final excelente, para agradar os fãs, tudo bem até aí, eu mesmo queria esse fanservice, tanto que saí do cinema do Homem aranha, em que todos estavam dizendo que era o melhor filme do ano, pensando: “relaxa que semana que vem tem Matrix”. 

O novo filme de Matrix, começa com a premissa de ser um filme anti blockbuster, sendo um completo blockbuster, se aproveitando da nostalgia de vermos personagens clássicos, de revivermos a experiência que tivemos nos outros filmes, como o próprio Agente Smith fala: “Nada conforta mais a ansiedade do que um pouco de nostalgia”.

O longa fica o tempo todo usando de metalinguagem, mas o tempo todo mesmo, cansa ver tantas cenas de flashback, sendo que muitas eram desnecessárias para a narrativa. 


Fizeram diversas referencias aos filmes clássicos, as vezes sobre novas perspectivas, um outro ponto de vista dos fatos e acontecimentos dos filmes passados, elementos assertivos do roteiro, muito embora alguns, como personagens que já conhecíamos e fizeram “participação especial repaginada” meramente por fanservice, foram extremamente desnecessários na trama do filme. 

Ainda, o que tinha de referências e easter eggs em Matrix, que podíamos sentar e discutir por muito tempo, que eram inúmeros, porém sutis e subjetivos,  nesse novo longa simplesmente foi escancarado, um mais do mesmo, de forma apressada e objetiva, como na cena que mostra Sati (Priyanka Chopra Jonas) lendo o livro Alice no país das maravilhas, que dá aquele zoom demorado na capa da obra, pra ficar mais que evidente que é a mesma referência do primeiro Matrix.

Desde o primeiro filme, em que mostra a tatuagem de coelho branco de Trinity, Neo a seguindo e descobrindo que vivia em uma simulação, tudo isso já havia sido explorado nos outros filmes da franquia e aqui mais parece uma forçada de barra para trazer as mesmas referências, sem nada de novo e ainda por cima, tentando a todo momento explicar as tudo, ora, piada que tem que ser explicada não é boa.

Apenas Lana Wachowski participou da direção da nova obra, Lilly não quis participar do projeto, mas parece que ela e a irmã são como os super gêmeos, apenas conseguem ativar seus poderes juntas, porque aquilo que vimos no cinema nem parecia Matrix, parecia um filme de ação genérico qualquer, passando na sessão da tarde. Não me entendam mal, eu amo Matrix, as irmãs Wachowski são diretoras de primeiríssima categoria, amei A Viagem, achei Speed Racer uma obra mal compreendida, mas esse filme novo do Matrix, parece ter sido dirigido pelo estagiário, não pela Lana.

Nem tudo foi decepcionante, o primeiro arco do filme foi muito bom, tocando White Rabbit da banda Jefferson Airplane, uma referência, nesse momento sim, bem colocado, à Alice no país das Maravilhas, e consequentemente ao primeiro filme, colocando Neo no mesmo status quo que o primeiro, sob a premissa de ser infeliz com a sua realidade, por viver o irreal, o que também remete à questão abordada pelas irmãs que é a jornada pessoal delas, a auto descoberta e a transexualidade. A questão da auto imagem e aceitação, o que foi retratado com a cena de Neo na frente do espelho, onde ele se enxergava de uma maneira, mas na verdade todos o viam como um velho completamente diferente.


Em especial, gostei de uma referência do Morpheus, que estava com óculos escuros, dentro da Matrix, vivendo um loop e não lembrava de nada do antes, e quando ele saiu da simulação, ele colocou um óculos escuro e disse “eu nunca tinha usado óculos”, mostrando que sua “visão” havia sido ampliada pelo conhecimento, uma pegada filosófica, a la Mito da caverna de Platão, quebrando a barreira da ignorância e compreendendo o mundo de maneira diferente, consciência, aprendizagem, libertação, esse primeiro ato estava com alma de Matrix, estava conectada ao cerne da franquia e a premissa que “ A escolha é uma ilusão”.

Aí começa o segundo ato que foi ladeira abaixo, aliás, foi queda livre, ficou maçante e cansativo, com cenas de luta com som abafado, quadros fechados que você nem sabia onde os golpes estavam sendo aplicados,  um roteiro linear de ação genérica, com lutas sem graça, cenas de perseguição com planos tão fechados que você nem sabia se estavam indo ou vindo, CGI pra tudo que é lado, e final óbvio, sem plot wist, sem emoção …

Infelizmente, mesmo com atuações maravilhosas de Keanu Reeves (Neo), Carrie-Anne Moss (Trinity) e Jessica Henwick (Bugs), o 4º filme da maravilhosa franquia que mudou o cinema foi decepcionante, o enredo proposto pela diretora de usar o filme, também, como forma de crítica à Hollywood, e o impacto negativo da cultura de Reboots e Spin-Offs transformou Matrix naquilo que queria criticar, um refém do Reboot, mais um Blockbuster vazio com enredo clichê, apenas um “bullet time”, o que só pode ser visto como proposital, fazer o filme exatamente aos moldes do que o filme critica, mas ainda sim, decepcionante.

 

Que a força esteja com vocês!

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