Análise psicológica da série Round 6

Por: - 8 de outubro de 2021

 

Vida longa e próspera!

 

Hoje vamos falar de uma boneca que tá aparecendo em sua time line o tempo todo, desse Dorama que quebrou barreiras e mostrou, pra quem ainda tinha alguma dúvida, que a Coréia do Sul faz filmes e séries de excelente qualidade, um outro grande exemplo foi o filme O Parasita, o primeiro filme de língua estrangeira a ganhar o Oscar de Melhor Filme.

Esse artigo vai entrar um pouco na parte psicológica da série, sim vai conter spoilers e easter eggs, já estão avisados. A primeira coisa que te choca e incomoda em Round 6 é ver como o ser humano age mediante extrema pressão, diante do desespero total.

Os jogos podem ser vistos como um estudo social bizarro, onde submetem pessoas que se encontram em extremo estresse, endividados e sem perspectiva de melhora  e os choca com uma quantidade absurda de dinheiro, o suficiente para ajeitarem para sempre suas vidas, o prêmio para o vencedor seria algo em torno de 208 milhões de reais, na cotação atual, é como ganhar na mega sena acumulada  várias vezes.

Primeiramente vamos analisar do ponto de vista biológico o assunto, em um ambiente normal, sem estresse, você consegue tomar suas decisões de maneira ordeira e racional, isso se deve ao fato de seu cérebro trabalhar sob o conceito top down, as partes superiores do cérebro comandam as inferiores, ou seja, o córtex pré-frontal “regula” nossas emoções para que não tomemos decisões de maneira impulsiva.

Quando sob grande estresse, como por exemplo, um jogo doentio que se você ganhar fica multimilionário, se perder você morre, com um monte de gente ao seu redor sendo abatidos igual gado, o fluxo de funcionamento de nosso cérebro muda, tendo um comportamento bottom up, ou seja, as partes impulsivas do nosso cérebro inativam as partes de controle, diminuindo a atividade de nosso córtex pré-fontal, fazendo as pessoas fazerem coisas que não fariam habitualmente, como sair correndo em desespero em direção a portas trancadas apenas para ser fuzilado.

Ainda, esse conceito dificulta realizar tarefas que seriam normais, ou mesmo fáceis, por conta do estresse intenso, coisas como tirar uma forma geométrica de uma bolacha de açúcar, que deveria ser fácil até para crianças, se torna uma tarefa hercúlea.

O nome do doce em coreano é Dalgona Candy

Mas vamos falar na prática, o que leva uma pessoa a chegar ao ponto de, como na série, após estar fora dessa loucura, retornar para um jogo insano de Battle Royale, onde ele provavelmente vai morrer? 

Temos que levar em conta a situação que cada um dos jogadores se encontrava, todos absurdamente endividados, em situação extrema, podemos ver alguns casos, como o do protagonista Seong Gi-hun que devia dinheiro inclusive para a máfia que estava atras dele, ou ainda de Sae-Byeok que é uma desertora da Corea do Norte.

Assim, entende-se que o comportamento dos jogadores, é próprio do ser humano, essa característica psicológica única que chamamos de sacrifício, tanto que nenhum animal da natureza se suicida, assim sendo,  essa situação social extrema faz com que as pessoas que estão jogando se submetam a essa atrocidade, por conta da esperança, da mera possibilidade de melhorar sua vida, somada ao revés que seria a morte, para os desesperados jogadores, era já uma realidade eminente, morte ou viver uma vida miserável em desgraça e desespero.

E os VIP, são simplesmente uns psicopatas ricaços que já perderam a alegria da vida e estão buscando qualquer coisa que os façam sentir-se vivos ? Bom a série é uma ficção, mas não é de hoje que o ser humano sente prazer em ver alguém levando a pior, o que era o Coliseu senão uma arena de perversão para ver pessoas desesperadas se matando?

Sabe aquele vídeo de uma pessoa tropeçando e caindo que você acha engraçado? Então, esse sentimento que o ser humano tem de gostar de ver a desgraça alheia é chamado de Schadenfreud, A palavra deriva do alemão “Schaden” (“dano”, “prejuízo”) e “Freude” (“alegria”, “prazer”), do riso ao ver um palhaço no circo levando torta na cara até o ponto de uma pessoa sentir prazer em assistir um marido jogar um jogo de vida e morte contra sua esposa.

O que faz chegar a esse ponto doentio, na verdade pode ser uma série de fatores, podemos levar em conta como a mídia de maneira geral está nos bombardeando de informações cada vez mais horrendas, e isso acaba nos anestesiando às atrocidades, em como consumimos informações e os reflexos delas em nossa psique, afinal, por que  ninguém assistiria aos noticiários se apenas tivessem notícias boas?

Seja uma questão neurológica, psicológica ou social, fica claro que tem sim evidentes traços de um sadismo e psicopatia no fato dos VIPS fazerem desses jogos seu entretenimento e embora a série não seja baseada em fatos reais, nossa sociedade hoje muitas vezes demonstra comportamentos deturpados semelhantes.

Toda boa obra faz aflorar sentimentos, sendo eles bons ou ruins, nesse sentido, a série Round 6 incomoda, nos deixa desconfortáveis e demonstra uma realidade do ser humano que muitas vezes não queremos enxergar, e esse impacto é o que fez essa obra coreana se tornar uma verdadeira febre no mundo, e, atualmente, a produção de maior audiência da Netflix em 90 países.

Só digo, que se não assistiram ainda a série, faz uma pipoquinha e maratona ela nesse final de semana que realmente vale a pena, se você assistiu, me conta o que achou!

Bônus da semana

Não resisti e fiz um Dalgona Candy, até eu que sou uma negação na cozinha consegui fazer, é só colocar 2 xícaras pequenas de açúcar (não faz igual eu que usei o mascavo não, usa o refinado), derrete o açúcar e acrescenta depois uma colher de café de bicarbonato de sódio, meche e pronto! Só fazer uma bolachinha, e colocar uma forminha em cima que quiser.

 

Que a força esteja com vocês!

 

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