Pesquisa aponta que violência e censura atingem a maioria dos professores no Brasil

Levantamento da UFF mostra que episódios de intimidação e restrição de conteúdo fazem parte da rotina de educadores da educação básica e superior.

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    Um estudo conduzido pelo Observatório Nacional da Violência Contra Educadoras/es (ONVE), da Universidade Federal Fluminense, identificou que nove em cada dez profissionais da educação já sofreram ou presenciaram casos de perseguição e censura em ambiente escolar. A pesquisa, feita em parceria com o Ministério da Educação, ouviu 3.012 docentes de instituições públicas e privadas do país.

    Os dados revelam que 61% dos professores da educação básica e 55% do ensino superior relataram ter sido alvo direto de violência relacionada à limitação da liberdade de ensinar. Entre os episódios citados estão tentativas de intimidação, questionamentos agressivos, proibição de conteúdos e, em menor escala, demissões e transferências de local de trabalho. Também foram registradas agressões verbais e físicas.

    Segundo o coordenador do estudo, o professor Fernando Penna, temas como política, gênero, sexualidade, religião e ciência lideram os motivos de conflito. Ele destaca que a censura ocorre tanto por parte de pessoas de fora da escola quanto de integrantes da própria comunidade escolar, incluindo direção, famílias e estudantes.

    A sondagem apontou ainda que quase metade dos entrevistados afirmou se sentir vigiada no exercício da profissão, o que influencia a decisão de abordar ou não determinados assuntos. Muitos relatam insegurança e desconforto no trabalho, fatores que contribuem para pedidos de transferência ou abandono da carreira.

    A pesquisa também identificou que episódios de violência cresceram em anos marcados por disputas políticas, como 2016, 2018 e 2022. Para o ONVE, o cenário reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção dos educadores e à garantia da liberdade acadêmica.

    O relatório final ainda está em elaboração. A expectativa é que novos cruzamentos de dados e entrevistas aprofundem a análise sobre o impacto da violência e da censura nos ambientes escolares brasileiros.

    *Agência Brasil

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