Região de Maringá realizou mais de 200 transplantes em 2025; Paraná é referência nacional

A macrorregional de Maringá – que abrange a região noroeste – realizou 223 transplantes no ano de 2025, segundo dados da SESA.

  • A região de Maringá realizou mais de 200 transplantes de órgãos – entre córneas, fígado e rim – entre janeiro e novembro de 2025.

    De acordo com o Sistema Estadual de Transplantes (SET/PR), da Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa), a região de Curitiba desponta nos índices, com 1.013 transplantes realizados entre janeiro a novembro do ano passado. Em seguida, aparece a macrorregional de Cascavel, no oeste, com 268 transplantes. A macrorregional de Maringá – que abrange a região noroeste – realizou 223 transplantes, seguida pela região de Londrina, com 188 procedimentos.

    O Paraná se tornou referência nacional em saúde pública no que tange a captação e a doação de órgãos e tecidos. Somente em 2025, em todo o estado, foram realizados mais de 1.700 transplantes.

    CENÁRIO EM MARINGÁ E REGIÃO É POSITIVO

    Na macrorregional de Maringá, foram realizados 105 transplantes de córnea, 70 transplantes de fígado, 44 transplantes de rim e quatro transplantes de fígado e rim.

    A Organização de Procura de Órgãos (OPO) da macrorregional de Maringá registrou ainda, em 2025, 191 notificações de possíveis doações. Destas, 62 foram doações efetivas.

    Alguns dos motivos para a não doação de órgãos são a recusa familiar, que na região de Maringá correspondeu a 35% das notificações em 2025; a contraindicação clínica foi de 34%; paradas cardiorrespiratória somaram 2% e outros motivos correspondem a 1%.

    Em dados gerais no estado, a principal barreira para a não realização do transplantes foi a Contraindicação Clínica (31%), com 359 casos; a Recusa Familiar (30%) foi responsável por 214 casos de não doação; já Outros Fatores, como Parada Cardiorrespiratória (PCR) representou 4% e morte encefálica não confirmada ou outros motivos somaram 2%.

    No ano de 2024, a macrorregião de Maringá registrou 234 notificações de possíveis doações de órgãos. Neste período, foram feitas 85 doações efetivas. A taxa de recusa de doações neste ano foi de 34%.

    Segundo a coordenadora da OPO de Maringá, Aline Cardoso Machado, o principal fator para a recusa familiar da doação de órgãos é a falta de esclarecimento sobre como os procedimentos são feitos.

    “É muito importante que as pessoas conversem e se informem a respeito do tema. Se na hora da dor eu não sei o que o meu familiar pensa, é mais difícil para tomar a decisão. Por isso as campanhas insistem tanto na questão de ‘fale sobre isso, converse com a sua família’, porque apenas a família pode autorizar, não existe outra possibilidade. Se a família não autorizar, eu não posso doar. 
Então a gente precisa que as famílias conversem a respeito disso pra ir desmistificando os medos e as dúvidas à respeito.”

    Foto: Albari Rosa/Arquivo AEN

    PERFIL DOS DOADORES PARANAENSES

    De acordo com o Sistema Estadual de Transplantes, o perfil dos doadores efetivos no Paraná em 2025 foi composto, em sua maioria, por homens, que corresponderam a 64% das doações, enquanto mulheres somaram 36%.

    Homens na faixa-etária de 50 a 64 anos somaram a maioria dos doadores, com 87 doações efetivas. Seguidos por homens entre 35 a 49, com 59 doações de órgãos e homens de 18 a 34 anos, com 58 doações.

    O cenário de mulheres doadoras de órgãos efetivos é semelhante ao de homens em relação à faixa-etária. No ano passado, mulheres entre 50 a 64 anos foram responsáveis por 56 doações. O número é seguido por mulheres mais velhas, entre 65 e 79 anos, que doaram 39 órgãos. Já mulheres entre 35 a 49 anos realizaram 31 doações em 2025.

    Em 2024, o perfil dos doadores foi de 61% homens e 39% mulheres.

    Aline explica que alguns fatores são importante para entender o porque homens são a maioria dos doadores de órgãos, tanto no cenário estadual, quando no macrorregional.

    “A doação de órgãos sólidos exige o diagnóstico de morte encefálica, geralmente causada por fatores externos, como traumas, ou doenças neurocríticas, como o AVC e aneurismas. Hoje, observamos que a violência e os acidentes de trânsito vitimam consideravelmente mais homens do que mulheres. Somado a isso, na esfera das doenças cardiovasculares, os homens ainda cuidam menos da saúde, o que resulta em uma incidência maior de AVC nesse grupo. Mas as causas externas ainda são predominantes no perfil dos doadores.”

    TRANSPLANTES DE CÓRNEAS E RIM SÃO MAIORIA NO PARANÁ

    Em dados gerais, foram realizados 1.000 transplantes de córneas no Paraná em 2025. Todos os tecidos foram de doadores falecidos. No mesmo período foram realizados 410 transplantes de rim, destes, 398 eram de doadores falecidos e doze de doadores vivos. Transplantes de fígado somaram 264, sendo 253 de doadores falecidos e onze de doadores vivos. O Paraná ainda registrou 29 transplantes de coração, oito transplantes de pâncreas e rim e quatro transplantes de fígado e rim, todos de doadores falecidos.

    Foto: Albari Rosa/Arquivo AEN

    DOADORES VIVOS

    Em 2025, Maringá não registrou nenhum transplante por doador vivo, número bem diferente do que foi percebido em 2024, quando foram realizados doze transplantes de órgãos de doadores vivos em hospitais na cidade. Em 2024, o Hospital Santa Rita foi responsável por nove transplantes de rim, enquanto a Santa Casa de Maringá realizou três transplantes do mesmo órgão.

    A coordenadora da OPO em Maringá ressalta que a doação de órgãos de pessoas vivas está estritamente ligada a questões biológicas, inseridas em um contexto familiar.

    “Diferente do que muitos pensam, a doação de órgãos entre vivos é restrita a casos específicos, como o rim ou parte do fígado, que possui capacidade de regeneração. Não basta apenas o desejo individual de doar para o sistema; a legislação exige que a doação ocorra dentro do núcleo familiar. É um processo complexo que envolve compatibilidade, preparo clínico e boas condições de saúde do doador. Se os exames confirmarem a viabilidade dos casos em acompanhamento, a expectativa é que tenhamos novos transplantes intervivos realizados em 2026”, afirma Aline.

    FILA DE ESPERA

    Atualmente, existem 5.053 pacientes na fila de espera para transplante de órgãos e tecidos no Paraná, sendo 2.395 para rim e 2.305 para córneas.

    A Central Estadual de Transplantes (CET/PR), fundada em 1995 e sediada em Curitiba, coordena o sistema com apoio de centrais regionais e Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) em Cascavel, Londrina e Maringá.

    O estado conta com 34 equipes de transplante de órgãos, 72 de tecidos, cinco laboratórios de histocompatibilidade, três de sorologia e três bancos de tecidos.

    Aline destaca que o trabalho de doação e transplantes no Paraná se tornou uma política de estado, e ainda cita que o Paraná alcança níveis de primeiro mundo nesse quesito.

    “O destaque do Paraná no transplante é indissociável do nosso desempenho na doação. Desde 2015, realizamos um trabalho consistente que transformou o transplante em uma política de Estado, e não apenas de governo. Temos uma rede altamente organizada e serviços de excelência. Hoje, nossos números são equivalentes aos de líderes mundiais. Enquanto o Brasil registra cerca de 20 doadores por milhão de habitantes, o Paraná trabalha com uma taxa de 40 — o dobro da média nacional e muito próxima de países como Espanha e Estados Unidos. Além disso, a eficiência na doação local é fundamental para otimizar o tempo de isquemia, garantindo que o órgão chegue ao receptor em condições ideais dentro do nosso próprio estado.”

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