Governo perde prazo para pagar pelo remédio mais caro do mundo, e bebê com AME segue sem tratamento

Mesmo com decisão judicial favorável, a família de Joaquim Burali aguarda há quase dois meses a liberação total do medicamento pelo Ministério da Saúde.

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    Joaquim Burali, um menino de dois anos diagnosticado com Atrofia Muscular Espinhal (AME) tipo 2, precisa com urgência do Zolgensma, o medicamento mais caro do mundo, avaliado em cerca de R$ 7 milhões, para tratar sua condição rara e progressiva.

    A família de Joaquim entrou na Justiça para conseguir o remédio que pode salvar a vida do garoto. No entanto, após mais de 45 dias da decisão judicial, o governo federal ainda não concluiu o pagamento integral do tratamento.

    Embora a União tenha depositado 70% do valor de R$ 7 milhões, o restante não foi pago dentro do prazo estipulado pela Justiça. Agora, por meio de uma nova decisão judicial publicada nesta semana, o governo recebeu um novo prazo de 10 dias para efetuar o depósito do valor restante.

    Ou seja, mais de um mês após a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o tratamento de Joaquim segue parado.

    Impactos da demora no tratamento

    A cada novo atraso, o risco de agravamento do quadro clínico de Joaquim aumenta, pois a AME causa degeneração e perda de neurônios motores da medula espinhal, levando à fraqueza muscular progressiva e, em casos graves, à insuficiência respiratória.

    A situação preocupa os pais, Luca e Amanda Burali, que tiveram que deixar seus empregos para cuidar do filho em tempo integral e seguem dependendo de doações para arcar com os custos de outros tratamentos.

    “Estamos vivendo uma angústia diária. Quase dois meses após a Justiça reconhecer o direito do nosso filho ao tratamento, o Ministério da Saúde ainda não cumpriu totalmente a decisão”, desabafa Luca. “O medicamento já é disponibilizado pelo SUS para os casos mais graves da AME, então o governo tem pleno conhecimento do valor e da urgência. Mesmo assim, foi depositado apenas 70% do valor, o prazo legal para a quitação foi perdido, e agora pedem mais 10 dias. É uma manobra burocrática que pode custar a vida do Joaquim ou causar danos irreversíveis”.

    Veja no vídeo um registro da luta diária de Joaquim:

    Vídeo: Redes Sociais

    Além do alto custo do medicamento, a família de Joaquim também arca sozinha com despesas diárias de terapias e cuidados especializados, já que ele não possui plano de saúde. Entre os tratamentos estão a fisioterapia motora e respiratória, acompanhamento com nutricionista, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo, além da manutenção e substituição de aparelhos ortopédicos, órteses, coletes e faixas.

    Como ajudar

    A família continua contando com doações para manter os tratamentos necessários. É possível contribuir de várias formas:

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