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Uma declaração feita pelo presidente da Câmara Municipal de Marialva, Rafael Poly (PL), durante a sessão legislativa realizada na segunda-feira (16), repercutiu após ser respondida nas redes sociais pelo chefe de gabinete da prefeitura, Everton Alves Cangirana, e motivar uma nota de repúdio do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan).
Durante o uso da tribuna, o vereador fez críticas ao que classificou como articulações políticas nos bastidores da administração municipal. Em um dos trechos do pronunciamento, afirmou:
“Lá em Brasília, o careca toma conta. Aqui em Marialva o careca tenta manipular, o careca sujo, leproso, que vive manipulando, que vive articulando, prometendo cargos, prometendo mil coisas e afundando a rainha do Egito cada dia mais.”
Após a sessão, o chefe de gabinete da prefeitura, Everton Alves Cangirana, publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que entendeu que as declarações foram direcionadas a ele, no que ele categorizou como “um espetáculo lamentável de desrespeito, covardia e absoluta falta de decoro por parte do presidente da câmara”. Na gravação, ele disse ter considerado a fala desrespeitosa e criticou o uso da palavra “leproso” como forma de ataque.
Segundo Cangirana, o termo reproduz estigmas relacionados à hanseníase e pode atingir pessoas que convivem com a doença. Ele também informou que registrou um boletim de ocorrência e que pretende levar o caso ao Conselho de Ética da Câmara Municipal.
A repercussão também levou à manifestação do Morhan, que divulgou uma nota de repúdio às declarações feitas durante a sessão.
No documento, a entidade afirma que o uso da palavra “leproso” como metáfora reforça estigmas históricos contra pessoas atingidas pela hanseníase e destaca que o termo foi oficialmente abandonado no Brasil por carregar séculos de preconceito.
A nota também ressalta que espaços institucionais, como o Legislativo, devem contribuir para combater a discriminação.
Em resposta ao Maringá Post, o vereador Rafael Poly afirmou que seu pronunciamento foi interpretado de forma equivocada. Segundo ele, as expressões utilizadas tiveram caráter alegórico e foram direcionadas a comportamentos políticos, sem menção direta a qualquer pessoa.
O parlamentar também declarou que o termo “leproso” foi usado como referência simbólica presente na tradição judaico-cristã, para representar falhas morais ou políticas, e não como referência à doença.
Poly afirmou ainda que não citou nomes durante a sessão e que a interpretação de que as palavras seriam direcionadas a alguém específico foi feita de forma individual por quem se sentiu atingido.









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