Desceu no saguão do aeroporto , pegou suas malas e seguiu até o primeiro taxi rumo a casa do primo Adalberto . Raimundo era seu nome. Fazia uns 10 anos que não se viam e teve medo do tempo ter mudado as características não só físicas, mas o mais importante a personalidade . O primo Adalberto acabara de sair da  cadeia por porte ilegal de armas. Passou três anos isolado em uma cela junto de marginais da pior espécie. Primeiro passo … Encontrar o endereço ( era antigo, antes da prisão).

Raimundo suava e tinha calafrios…. Até chegar no destino foi pensando maneiras de abordar o primo. E logo quando parou em frente a residência avistou um tipo magrelo com um cigarro na boca cabelo despenteado , uma calça desbotada. Era Adalberto gente boa não parecia…

Então se achegou ao portão da casa… E com uma voz alarmante esbravejou “ Ei nãose aproxime, se afaste do meu portão seu enxerido. Não me interessa quem seja só saia do meu portão… E se não atender as minhas ordens te encho de tiros…

Começou uma aglomeração  na rua do jardim horizonte. Nunca se viu tamanho furor de Adalberto, com um desconhecido aparente mente. “ Porra Betinho sou eu Raimundo” insistiu Raimundo.

Não conheço ninguém com esse nome. Não tenho família…sai dessa casa, vamos tomar um café em algum lugar, você há de se recordar …

Não ando com gente desconhecida murmurou Adalberto. Sou mudinho seu primo mais novo como pode esquecer ( continuou Raimundo)…Não morri não seu xucro riu  descontraído.  Adalberto abiu o portão e olhou fixamente nos olhos de Raimundo e gesto comedido lançou uma ameaça… Te dou 5 minutos pra sair da minha frente minha casa é lugar de respeito seu intrometido.

Raimundo como se fosse numa ultima tentativa disse com vigor.. Seu tonto desorientado, você tem uma cicatriz na cabeça do lado direito…Foi eu quem te derrubou escada abaixo quando tínhamos nossos 11 anos mais ou menos.

Pô… Felicitou o rapaz abraçando o Raimundo. Agora que  a lembrança vinha a tona e foram para um bar vizinho . .. Desce dois rabo de galo puro por favor , recitou  sua  história de vida como se fosse um poema. E  tomaram um litro de vodka …

E sentaram na calçada da casa de Adalberto começaram a contar histórias da juventude. Porque fixar isolado de tudo perguntou Raimundo….  Perdi o amor de minha vida meu brother e fiz besteira… Matei o cara que se envolvia com ela e o cara fugiu .. Um covarde. Não fui preso  só por porte ilegal  de armas, mas pelo homicio que cumpri e não tenho remorsos.

E começou a rolar lagrimas lágrimas dos olhos de Raimundo porque chegou a conhecer Marluci ( mestiça japonesa) ela fora seu único amor, depois da traição se entregou a vida desregrada.

Mas façamos uma coisa sugeriu Raimundo, “Volta comigo para São Paulo” te arrumo um emprego e você mora comigo. Também vivo só e sua companhia será de ajuda a ambos.

Adalberto topou o desafio e tratou de coletar o mínimo de coisas de importância. E desceram do ônibus que era originário do Paraná até finalmente São Paulo capital. Raimundo morava umas  2 duas quadras da rodoviária, não havia riscos para eles ali.

Chegando em casa  Correu para a garagem e ligou seu Chevette 76  cor branca..  O carro do ano.. . e foram a trás de umas garotas.. se divertiram ao Maximo naquela noite de recém chegados. E tiraram  uma lição de vida “vale mais viver a sós ao lado dos bons amigos que na solidão  de pessoas frias e negativas”. O primo Raimundo trouxe Adalberto de volta a vida e a vida é uma constante de aprendizados e trocas de oportunidades de fazer o bem a quem não tem. O caso dos jovens primo  faz refletir sobre a importância de se ter alguém de companhia ainda que na dureza, ainda é bem vinda.

Luiz Renato Vicente é acadêmico de Filosofia da UEM (Universidade Estadual de Maringá). Vencedor de duas Edições do Prêmio Melhor Leitor do Ano pela Rotary Club Internacional e Semuc. 2017 ( 2º lugar) e 2019 ( 1º lugar) na categoria adulto.

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