Dava pra ver da janela da sala do pequeno apartamento as crianças jogando amarelinha na praça central que desembocava na ponte que ligava o bairro a zona sul da cidade do Porto. E se lembrou da maga de Cortazar quando beijou Felicia pela primeira vez. Ele regressava da força tarefa militar que buscava levar a paz em território Iraquiano…Queria mesmo era se esquecer dos horrores que lhe roubavam as noites de sono; antes fosse um problema de ordem cultural, mas, era uma dinamite politica prestes a explodir.
Perdeu inúmeros amigos mutilados por granadas… Dos soldados portugueses daquela infantaria foi um dos poucos que conseguiram regressar ao seu País. Heverton se feriu psicologicamente…Estava depreciado. Mas quando adentrou sua residencia lá estava ela Felícia com seu poder de persuasão. colocou para rodar um velho disco de Coltrane na antiga vitrola herdada de seu pai. Heverton ficava em casa vendo TV sozinho. Heverton precisou de ajuda terapêutica.. Seus traumas ressurgiam em seu sonhos. Mas foi quando no auge da relação decidiram se casar receberam uma noticia inesperada. Os terrores noturnos se tornavam realidade…Fora convocado a retornar ao campo de batalha. E não teve a opção de dizer “não”.
Já no outro dia Felicia estava junto ao Taxi que levaria Heverton até o aeroporto mais perto.E se foi acenado para a mulher de sua vida e seus encantos… Era meio dia.. As crianças jogavam amarelinha.

Luiz Renato Vicente é acadêmico de Filosofia da UEM (Universidade Estadual de Maringá). Vencedor de duas Edições do Prêmio Melhor Leitor do Ano pela Rotary Club Internacional e Semuc. 2017 ( 2º lugar) e 2019 ( 1º lugar) na categoria adulto.

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