Como inovar no Dia do Programador?

Por: - 24 de setembro de 2021

Na minha infância nunca comemoramos aniversários antes da data. Meus avós diziam que dava azar. Então, se “o grande dia” caísse numa segunda-feira, a festa só iria acontecer no sábado ou domingo subsequentes. Não que eu seja dado a crendices, mas pra mim faz muito sentido não comemorar com antecedência. Então, acredite ou não, é justamente por isso que apenas hoje eu venho mencionar o dia do programador. Ou melhor, o dia da pessoa desenvolvedora. Como software parece ser a alma da inovação, segundo algumas pessoas, em alusão ao 256o do ano, vou falar sobre isso: Inovação.

Agora há pouco eu repeti o slogan de uma das mais famosas escolas de desenvolvimento brasileiras. E não posso tirar a razão do departamento de marketing. Afinal, se você observar bem, o software tem causado mudanças profundas no tecido social. Antes do Uber, por exemplo, todo mundo queria ter um carro. Hoje isso não é mais verdade. Assim, surgem novos modelos de negócio, novas formas de interação entre pessoas, empresas e organizações.  E por trás da criação de grandes empresas, o que temos são alguns jovens, que tinham, nada muito além, do que uma ideia na cabeça e um teclado de computador à mão – e claro, o dinheiro dos pais. 

Entretanto, o que está nas entrelinhas, e que pouca gente percebe ou diz, é que: software por si só, hoje, não é inovação. E digo mais: Se você ler o ranking das linguagens de programação mais utilizadas no mundo, irá perceber que algumas delas têm a mesma idade que você, se não for mais velha. Evidentemente passaram por transformações ao longo dos anos. Mas a sintaxe básica continua a mesma. Aliás, pouco se vê (para não dizer nada) em relação ao surgimento e utilização de novos paradigmas de desenvolvimento. Quando muito, algumas novas técnicas, alguma variação a respeito de boas práticas. Mas nada realmente disruptivo, popular e acessível surgiu na suposta “alma da inovação”. E se software é realmente assim “tão old school”, qual é a real alma da inovação?

Nesse final de semana tivemos outra comemoração. Ainda que o Ministério da Educação tenha ignorado completamente, o educador mais famoso do mundo, Paulo Freire, faria o seu centésimo aniversário. O advogado que virou educador, conseguiu alfabetizar 300 pessoas, trabalhadoras do campo, em apenas 40 horas. Essa façanha foi possível através do método que ele mesmo criou e aplicou. Paulo Freire, e o seu inovador método de estudo, são matéria de estudo em várias universidades pelo mundo, tendo o seu criador recebido ao menos 35 títulos de Doutor Honoris Causa, além de ter sido professor da universidade de Harvard, nos EUA. Uma inovação totalmente analógica, fazendo uso de ferramental muito antigo: as letras.

Sobre essas duas inovações, eu percebo aproximações que, por conta de um detalhe quase ínfimo, se chocam e se afastam numa repulsão galáctica.

Aqui sou eu, já adepto da leitura. O que me faz lembrar de Paulo Freire e sua inovação totalmente analógica, fazendo uso de ferramental muito antigo: as letras. Hoje em dia, a maior inovação que se pode conquistar é a educação tecnológica!

Inovações, tal como dito, têm o poder de mudar o mundo e fazer a humanidade evoluir – e aqui uso a evolução quase no sentido médico da coisa, já que a humanidade também pode “evoluir” para o óbito. O ponto de choque é que a maioria das inovações tecnológicas hoje surgem para resolver problemas já existentes. 

Como diz o aforismo: “o mercado inventa um problema para te vender a solução”. Enquanto que a premiada concepção freireana de alfabetização, resolve um problema antigo, cuja resolução tem o poder de libertar mentes e pessoas, além de propiciar um ambiente igualmente inovador.

Antes que você fique com raiva de mim, se já não for tarde demais pra isso, eu não estou querendo minimizar esta ou aquela ideia. Longe disso. Eu mesmo sou usuário desses serviços. Mas a tecnologia não pode girar em torno de resolver o que já está “resolvido”, só que com tecnologia. O mundo está recheado de problemas e desafios que precisam ser superados. 

O primeiro desafio, que está esmurrando a nossa porta, é a educação tecnológica. O mundo não está preparado para o ritmo de transformações impostas pela tecnologia. Basta ver a instabilidade mundial, inegavelmente gerada pelas redes sociais! Outro desafio também é o de tornar a tecnologia mais acessível. E a necessidade de ficar em casa deixou bem claro que a tecnologia não está acessível a todas as famílias. 

O smartphone, que antes era visto como artigo de luxo, tornou-se o mínimo necessário para garantir acesso à educação. E a internet, apesar dos milhares de satélites em órbita e do emaranhado de cabos da cidade, ainda não conseguiu chegar às periferias. E com todos esses problemas, há quem veja uma tela de cadastro como uma inovação!

Nós, tecnologistas, temos o dever humano de refletir sobre esses aspectos. E mais: o dever de criar espaços de divulgação e acessibilidade tecnológica. Assim poderemos pensar e promover uma educação digital, que seja também, libertadora.

 

Feliz dia da pessoa desenvolvedora!

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