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O Conselho Europeu ratificou, nesta sexta-feira (9), o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, em reunião realizada em Bruxelas, na Bélgica. A decisão foi tomada pela maioria dos países do bloco europeu durante encontro do Comitê de Representantes Permanentes (Coreper).
Apesar da ratificação, o acordo ainda não entra em vigor. Para isso, será necessária a aprovação do Parlamento Europeu, além da ratificação formal por todos os Estados-membros da União Europeia.
O tratado marca um avanço histórico nas relações entre os dois blocos, que negociam o acordo há mais de 25 anos. O Mercosul é formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
O ministro da Energia, Comércio e Indústria do Chipre, Michael Damianos, classificou a decisão como um passo histórico. Segundo ele, o acordo fortalece a parceria estratégica entre a União Europeia e o Mercosul em um cenário global marcado por instabilidade econômica e geopolítica.
Resistência dentro da União Europeia
Apesar da aprovação pela maioria dos países, o acordo enfrenta forte oposição interna. França, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria votaram contra, enquanto a Bélgica optou por se abster.
A França lidera a resistência ao tratado. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que o país decidiu votar contra o acordo, refletindo a pressão de setores agrícolas franceses.
Produtores rurais da França têm promovido protestos, alegando que o tratado permitiria concorrência desleal com produtos sul-americanos, que, segundo eles, seriam produzidos sob regras ambientais e sanitárias menos rigorosas do que as exigidas na União Europeia.
Próximos passos do acordo
Mesmo com as divergências, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o acordo com os países do Mercosul nos próximos dias. Ainda assim, a entrada em vigor dependerá do aval do Parlamento Europeu e do cumprimento de etapas legais adicionais.
O acordo é considerado estratégico por ampliar a integração comercial entre duas das maiores regiões econômicas do mundo. Ele prevê a redução de tarifas e barreiras comerciais, o que pode estimular exportações, investimentos e o fluxo de mercadorias entre os blocos.
Para os países do Mercosul, o tratado representa maior acesso ao mercado europeu. Já para a União Europeia, o acordo amplia a diversificação de parceiros comerciais e reduz a dependência de mercados específicos.
Setores agrícolas no centro do debate
Um dos principais pontos de impasse envolve a proteção de setores agrícolas considerados sensíveis na Europa. Está em discussão um mecanismo que permita suspender benefícios tarifários caso importações causem prejuízos significativos à produção local.
Essas salvaguardas são vistas como fundamentais para reduzir a resistência interna e viabilizar a implementação definitiva do acordo.
Apesar da ratificação inicial, o processo ainda exige negociações políticas, ajustes técnicos e consenso entre os países envolvidos antes de sua aplicação prática.
*Fonte: Metrópoles.








