Silvio Barros descarta reforma administrativa profunda e diz que corte de despesas precisa ser “inteligente”

No decorrer de 2025, foi aguardado que o Executivo enviasse para a Câmara um projeto de reestruturação do organograma municipal, com a diminuição de secretarias, algo que não ocorreu e, de acordo com o prefeito de Maringá, nem vai ocorrer. Em entrevista ao Maringá Post, Silvio Barros afirmou que pretende fazer apenas mudanças pontuais e que demandou de secretarias a implantação de serviços digitais, o que poderia reduzir custos para a máquina pública.

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    Após quase um ano de espera, o prefeito de Maringá Silvio Barros (PP) enfim, descartou a possibilidade de realizar uma reforma administrativa mais aprofundada. Desde que assumiu a administração municipal, em janeiro de 2025, o chefe do Executivo chegou a acenar a possibilidade de enviar à Câmara um projeto que promovesse a reestruturação do organograma municipal.

    Atualmente, Maringá opera o Executivo com um organograma desenhado em 2022. São 35 secretarias municipais, o maior número entre os cinco maiores municípios do Estado. A título de comparação, Curitiba tem 34 secretarias para gerir uma cidade com mais de 1 milhão de habitantes, enquanto Londrina, com mais de 550 mil moradores, tem 32, considerando municípios maiores que Maringá. Ponta Grossa, que vem logo abaixo, tem 22 pastas em seu organograma e Cascavel tem 26 secretarias e autarquias.

    Apesar da expectativa por uma redução no número de secretarias, um projeto de alteração do organograma não foi enviado ao legislativo no ano passado e, de acordo com o prefeito, nem será enviado neste ano. Em entrevista ao Maringá Post nesta quarta-feira (7), o Silvio Barros explicou que pretende realizar apenas mudanças pontuais, quando sentir a necessidade.

    A reportagem questionou o prefeito de Maringá se uma reforma não seria necessária pensando no corte de despesas. Para justificar o aumento de 30% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), por exemplo, o município citou a necessidade de manter e criar novas fontes de receita por conta da queda de arrecadação com o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e a reforma tributária.

    Para Silvio, o corte de despesas precisa ser “inteligente”. Ele também classificou um eventual corte de investimentos como “inadmissível”.

    “Uma cidade como a nossa, com a qualidade que tem, com a estrutura que tem e com as demandas que tem, nós precisamos contextualizar o que quer dizer cortar despesas. Cortar despesas de custeio é uma coisa, cortar despesas de investimento, no meu entender, é inadmissível. Inadmissível para uma cidade como a nossa. Nós precisamos investir cada vez mais”, pontuou Silvio Barros.

    Conforme o prefeito, uma das medidas demandadas para as secretarias municipais, com o objetivo de reduzir custos, foi entender quais serviços ao cidadão podem operar digitalmente, sem a necessidade de atendimento presencial.

    “Todas as nossas secretarias foram demandadas para identificar quais serviços que elas prestam hoje que poderiam ser prestados digitalmente 24/7. O cidadão não precisa sair da casa dele para poder acessar o serviço da Prefeitura. Das nossas secretarias, 13 já apresentaram o seu relatório e a gente vai avançar muito nisso, isso vai trazer redução de custo. Mas, em vez de reduzir custo cortando o serviço, vai ser o contrário, nós vamos reduzir custo aumentando a disponibilidade do serviço porque o cidadão não precisa mais vir aqui, não precisa ir numa repartição pública, ele pode fazer pelo telefone e ter o atendimento de qualquer maneira. Então, esse corte de despesas, ele precisa ser inteligente e o importante é que ele não prejudique a eficiência do serviço público. Corte de investimento? Isso, no meu entender, é inaceitável”, afirmou o prefeito.

    Sobre o organograma, Barros afirmou que mudanças pontuais já estão em andamento. Elas continuarão conforme a necessidade for identificada.

    “Já estamos fazendo alterações. Vamos reorganizar a nossa estrutura para que ela possa entregar mais. Isso, já estamos fazendo, aliás, nem paramos de fazer e vamos continuar fazendo. Em algumas áreas, a gente pode reduzir. Em outras áreas, a gente precisa aumentar, e aí te dou um exemplo: os jogos eletrônicos entram nas Olimpíadas. O que nós temos na Secretaria de Esportes hoje para tratar de jogos eletrônicos? E quantas pessoas em Maringá participam disso? Quantos negócios de Maringá vivem disso?Não mantemos isso na estrutura e eu entendo que devia ter. Então, não é só reduzir aquilo que não precisa, é também criar aquilo que precisa. Isso é o processo de gestão que nós estamos implementando na Prefeitura. Nós não vamos fazer isso de uma vez só, não é uma coisa que a gente vai fazer de uma palavra só. Nós vamos fazendo conforme a gente vai identificando a necessidade de fazer alguma alteração. Também não vamos fazer às pressas só para poder mandar o pacote junto porque tem outras urgências”, finalizou.

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