Mais uma testemunha afirma que ex-secretária recebia propina mensalmente

31 de agosto de 2021
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Reunião da comissão de inquérito da Câmara de Umuarama nesta terça-feira Foto: Danilo Martins/OBemdito

A ex-secretária de Saúde de Umuarama, Cecília Cividini, que foi afastada do cargo em maio por suspeita de participar de um esquema que teria desviado R$ 19 milhões do Fundo Municipal de Saúde, agora é suspeita também de receber propinas mensalmente de empresas fornecedoras da Secretaria de Saúde.

A acusação foi feita nesta terça-feira, 31, pela médica Daniela de Azevedo Silva, proprietária de uma empresa fornecedora da prefeitura, que disse na Comissão Especial de Inquérito aberta na Câmara de Vereadores para apurar irregularidades na saúde pública de Umuarama, que sua empresa fazia repasses mensais para Cecília Cividini e para a ex-diretora de Saúde, Renata Campagnole.

As informações de Daniela Azevedo confirmam o que já havia sido revelado pelo contador Guilherme Roberto Pereira, que está preso em Curitiba, quando prestou depoimento à comissão, na semana passada.

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Os agentes cumpriram mais de 60 mandados de busca e prenderam sete pessoas Foto: O Bemdito

Revelações começaram com a Metástase

A Comissão de Inquérito da Câmara, conhecida na cidade como CPI da Covid, foi instaurada após uma operação do Ministério Público prender sete pessoas no início de maio. A Operação Metástase, desenrolada por agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), afastou a então secretária Cecília Cividini e outros servidores da Secretaria de Saúde e cumpriu mais de 60 mandados, até mesmo com buscas na casa e no gabinete do prefeito Celso Pozzobom (PSC).

Na época, falou-se que parte do dinheiro teria sido usada na construção de uma casa às margens do Rio Paraná, em Porto Rico.

 

A farra ia ser em Porto Rico

Além dos R$ 19 milhões que supostamente foram desviados do Fundo Municipal de Saúde, o Ministério Público do Paraná investiga indícios de fraudes em licitações, com superfaturamento de contratos, emissões de notas fiscais frias, depósitos em contas de investigados e de outros. As investigações apontam para a atuação de uma organização criminosa suspeita de praticar os crimes de peculato e falsidade ideológica.

Os promotores e a equipe do Gaeco apuraram ainda desvios de recursos de entidades filantrópicas que prestam serviços médico-hospitalares, que teriam sido usadas para a compra de equipamentos náuticos e construção de uma casa de veraneio em Porto Rico.