Câmara de Maringá vota nesta terça-feira pedido de cassação do vereador Mário Verri (PT), que deu um tapa no Soldado Pessuti e levou um soco

21 de maio de 2018
Foto do Soldado Pessuti que acompanha a denúncia protocolada às 13h48 desta segunda-feira (21/5)

Na sessão da Câmara de Maringá desta terça-feira (22/5) deverá ser lido e votado o quarto pedido de cassação de um vereador da atual legislatura. Todos os pedidos de criação de Comissão Processante (CP) se deram por denúncias de quebra de decoro parlamentar.

Desta vez o fato gerador do pedido foi uma troca de tapa no rosto e soco na boca entre o vereador Mário Verri (PT) e o policial militar Nelson Roberto Pessuti Filho, conhecido como Soldado Pessuti.

O entrevero ocorreu ao final do desfile cívico de 71 anos da cidade, na segunda-feira (14/5) da semana passada e a denúncia foi protocolada na Câmara às 13h48 desta segunda-feira (21/5).

O presidente da Câmara, Mário Verri (PP), disse no final desta tarde que seguirá o Regimento Interno, que estabelece que denúncias contra vereadores devem ser lidas e votadas na primeira sessão seguinte ao protocolo.

Um grupo do Patriotas do Brasil, do qual Pessuti faz parte e que promoveu a manifestação em defesa do juiz Sérgio Moro durante o desfile de aniversário de Maringá, acompanhou o denunciante na formalização do pedido de abertura de CP.

A denúncia solicita a apuração de três acusações ao vereador: proferir injúrias aos munícipes durante a sessão da Câmara do dia 22 de fevereiro de 2018, agressão física ao denunciante e incitação à violência por meio de declarações nas redes sociais.

O documento contém links de gravações de sessões da Câmara, reproduções de conversas em páginas do Facebook, nota de repúdio dos Patriotas do Brasil ao vereador e exemplos de casos semelhantes ocorridos em outras cidades do país que resultaram em punição dos acusados.

Na denúncia de 14 páginas são arroladas como testemunhas do Soldado Pessuti a advogada Cassia Denise Franzoi e Fernando de Amorim Pinho, que teriam presenciado os fatos e participam do movimento Patriotas do Brasil.

Versões de Verri e Pessuti têm começo semelhantes

Segundo as versões dos dois envolvidos, Verri deu um tapa no rosto do soltado Pessuti, que revidou com um soco e atingiu o braço e a boca do adversário. Quanto ao que aconteceu antes das agressões físicas, há divergências entre o vereador e o soldado.

É público que os dois militam em grupos ideológica e politicamente opostos. Enquanto Verri é um dos expoentes do PT em Maringá, Pessuti se tornou conhecido pelas postagens nas redes sociais com severas criticas ao partido do ex-presidente Lula, condenado por Moro.

Das quatro denúncias por falta de decoro protocoladas na Câmara, apenas a que foi feita pelo PV contra o vereador Homero Marchese prosperou.

No dia 5 de outubro de 2017 a denúncia foi aprovada por 13 votos a 3. O vereador está filiado ao Pros, mas à época pertencia ao próprio PV. A CP está suspensa por ordem judicial liminar.

A segunda denúncia foi feita pelo corretor de imóveis Felício José Duarte Alves Cyrino contra o vereador Carlos Mariucci, também do PT, que não foi aceita. Por 10 votos a 2, os vereadores não se dispuseram a investigar o caso da Cooperativa Habitacional Central do Brasil (Coohabras).

Em 2016, a Cohabras, sob a liderança de Mariucci, lançou um projeto de construção de casas populares a preço de custo. Conseguiu centenas de adesões mediante pagamento de taxa de adesão e de mensalidades, porém nenhuma unidade foi construída até hoje.

Outro pedido de abertura de Comissão Processante, contra o presidente da Casa, Mário Hossokawa (PP), também foi rejeitado pelos vereadores.

  • Procurados pela reportagem durante a tarde desta segunda-feira (21/5), o vereador Mário Verri e o Soldado Pessuti não atenderam e não retornaram as ligações.

Reportagem atualizada às 20h15 com a informação de que um pedido de abertura de Comissão Processante contra Mário Hossokawa também foi arquivado.