PT já discute se Lula vai simplesmente se entregar ou marcar um lugar para ser preso em grande manifestação popular, diz deputado maringaense Enio Verri

Por: - 5 de abril de 2018
Deputado federal Enio Verri durante a passagem da caravana do ex-presidente em Francisco Beltrão (Imagem/Reprodução)

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter rejeitado o pedido de habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores decide quais os próximos passos, tanto em relação às eleições quanto à possível prisão.

Um dos pontos de pauta da reunião, segundo informou nesta quinta-feira (5/4) o deputado federal maringaense Enio Verri (PT), é se Lula simplesmente vai se entregar ou será escolhido um lugar para ele ser preso, onde a militância partidária possa estar ao seu lado em uma grande manifestação.

Segundo Verri, que por compromissos na região de Maringá não participará da reunião nesta quinta-feira, quem vai discutir é o PT, mas a palavra final é do ex-presidente:

O que posso garantir é que não faz parte do pensamento do presidente Lula pedir asilo político ou ter resistência física à sua prisão. Isso não vai ocorrer, ele não admite isso. De maneira nenhuma vai haver enfrentamento físico, mais vai ocorrer manifestação, o que é natural da democracia.

De acordo com Verri, neste primeiro momento, o partido deve seguir os caminhos jurídicos. O primeiro plano é aguardar a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) sobre a última possibilidade de recurso do ex-presidente na segunda instância.

Os “embargos dos embargos”, como é chamado este último recurso, não mudam a sentença do tribunal e devem ser apresentados pela defesa de Lula até dia 10 de abril.

Depois do recurso, o partido pretende que o STF julgue a ação declaratória de constitucionalidade (ADC) para evitar a condenação do réu, antes que todos os recursos em todas as instâncias judiciárias sejam julgados.

Para isso, Verri reconhece que a presidente do STF, ministra Carmem Lúcia, é quem define se coloca ou não a discussão em pauta. Ele lembra porém, que ela encerra o mandado na Corte em setembro:

Quem vai assumir é o Toffoli, que é favorável a se votar logo a tese e discutir o ADC.

Para o deputado, a maioria dos ministros do STF votaria contra a prisão em segunda instância.

A ministra Rosa Weber é a favor e vai votar contra a prisão em segunda instância. O resultado vai ser 6 a 5.

Se Lula for preso, Enio Verri diz que a defesa do ex-presidente vai pedir ao STF um habeas corpus e, na sua opinião, em uma possível soltura Lula terá ainda mais apoio popular.

Ele sai da cadeia com mais intenção de voto que tem hoje. A população terá mais certeza ainda que ele é uma pessoa perseguida politicamente.

Lula é pré-candidato mesmo preso

A reunião do nacional do PT também vai aprofundar as discussões no campo político e definir os próximos passos do partido, que segundo Enio Verri devem continuar os mesmos.

– Não está descartada em momento alguma a pré-candidatura de Lula. Ele é nosso candidato, preso ou não, e vai ser registrado no dia 15 de agosto. Enquanto o Tribunal Superior Eleitoral não dizer o seguinte: ‘Lula não é candidato’, ele vai continuar como pré.

O deputado reconhece que essa é uma forma de deixar Lula por mais tempo na corrida eleitoral, já que para o partido o ex-presidente tem o direito de ser candidato.

– Entendemos que quem deve decidir se ele deve ou não ser presidente é o povo. Se o Lula é tudo isso de ruim que a mídia fala, deixem que o povo julgue.

Para o deputado que presidiu o PT paranaense, a prisão de Lula não decreta como encerrada a carreira política do ex-presidente.

Se você pegar os principais jornais sérios do mundo, ali o Lula é respeitado. O Lula é mais respeitado pelos jornais do mundo do que aqui, que são comprados. O Lula defende os pobres e a elite do país não quer que ninguém defenda os pobres.

Lula fora da disputa divide a esquerda

O deputado entende que Lula, como candidato, é uma “liderança que unifica” e a candidatura dele poderia unir outros pré-candidatos de esquerda, como Manuela d’Ávila (PC do B), Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL).

– Caso Lula não seja candidato, isso vai dividir a esquerda. Dividindo a esquerda, claro, quem ganha é a direita. Esse é o grande objetivo da direita.

No cenário estadual, Verri diz que o PT também já tem candidato próprio ao governo do Estado:

– Tudo indica que será o ex deputado federal Dr. Rosinha.

Enio Verri também já anunciou a pré-candidatura e vai tentar a releição como deputado federal. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, vai deixar o Senado e também concorrerá a uma cadeira na Câmara dos Deputados.

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