Contra a lógica da pressa: o modelo de imobiliária defendido por Suelen e Diego, da Moriale Imóveis

No Ponto a Ponto, os empresários explicam por que escolheram crescer com cautela, recuar de vendas e priorizar assessoria ao cliente em um mercado marcado pela urgência.

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    Em um mercado imobiliário cada vez mais acelerado, marcado por anúncios em massa, respostas automáticas e decisões apressadas, Suelen Melo e Diego Natal Ricardo defendem um caminho diferente. Convidados do episódio desta semana do Ponto a Ponto, podcast do Jornal Maringá Post, os dois empresários apresentaram uma visão que contraria a lógica dominante do setor: menos pressa, mais critério e foco absoluto na experiência do cliente.

    Sócios da Moriale Imóveis, empresa criada recentemente em Maringá, Suelen e Diego afirmam que a decisão de empreender surgiu da necessidade de trabalhar de acordo com valores que já praticavam no mercado, mas que nem sempre encontravam espaço para aplicar plenamente. “A gente sentiu que precisava colocar a nossa visão, o nosso jeito e a nossa responsabilidade na forma de atender”, explicou Suelen durante a entrevista.

    Um dos principais diferenciais defendidos pelos empresários é a capacidade de recuar de uma venda quando ela não faz sentido para o cliente. Segundo eles, fechar negócio a qualquer custo pode gerar problemas futuros tanto para quem compra quanto para quem vende. “Tem que ser uma bênção, não uma dor de cabeça. Às vezes, o melhor é esperar seis meses ou um ano”, afirmou Suelen.

    Essa postura também se reflete na relação com construtoras e parceiros. Diego relatou que, mesmo no início da empresa, optaram por dizer “não” a propostas que poderiam comprometer a qualidade do atendimento. “A gente precisava de caixa, mas precisava, principalmente, construir cultura. Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo e fazer bem”, disse.

    Outro ponto recorrente na conversa foi a crítica ao que os entrevistados chamam de “e-commerce de imóveis”. Para eles, o modelo baseado apenas em anúncios, mensagens rápidas e visitas pontuais esvazia o papel do corretor como assessor. “A nossa ideia é sair dessa lógica de manda WhatsApp, agenda visita e acabou. O cliente precisa de orientação, de comparação, de contexto”, explicou Diego.

    A atuação da Moriale também se diferencia por não restringir o atendimento a determinado perfil de imóvel. Segundo os empresários, o mesmo cuidado é aplicado tanto a imóveis enquadrados no Minha Casa Minha Vida quanto a unidades de alto padrão. “O valor do imóvel não define o valor do atendimento. A experiência precisa ser a mesma”, destacou Suelen.

    Essa lógica se estende à cultura interna da empresa. Durante o episódio, os dois relataram a preocupação em criar um ambiente de trabalho acolhedor, colaborativo e emocionalmente seguro para a equipe. “O jeito como a gente trata as pessoas aqui dentro reflete diretamente na forma como elas vão tratar o cliente”, disse Diego.

    Ao longo da conversa, ficou evidente que a proposta defendida por Suelen e Diego não é a de crescimento acelerado a qualquer preço, mas de consolidação gradual baseada em confiança, indicações e relações de longo prazo. “A comissão é consequência de um bom trabalho, não o contrário”, resumiu Suelen.

    A discussão integra o episódio do Ponto a Ponto dedicado aos desafios do mercado imobiliário em Maringá. Apresentado pelo jornalista Ronaldo Nezo e gravado na V Mark Produtora e Estúdio, o episódio completo está disponível no YouTube e aprofunda os temas abordados na reportagem.

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