Tempo estimado de leitura: 4 minutos
Entre os vários trechos marcantes da entrevista concedida ao Ponto a Ponto, um dos mais instigantes é a análise feita por Marco Tadeu Barbosa, presidente do Secovi, sobre o futuro da Avenida Getúlio Vargas. Para ele, o centro de Maringá ainda tem tempo de se reinventar — e o momento é agora.
Marco compara o desafio à transformação vivida por outras cidades brasileiras e internacionais. Ele cita, por exemplo, a revitalização da Rua Riachuelo, no centro de Curitiba, onde uma área antes abandonada e marcada por comércio decadente foi completamente ressignificada.
“Era brechó, prostituição, droga… e ficou muito bacana. Conseguiram revitalizar com incentivo à fachada, apoio de empresas de tinta, incentivo de IPTU.”
Essa mudança, segundo ele, não depende apenas do poder público. Precisa também do envolvimento da iniciativa privada e da comunidade.
Getúlio Vargas: de polo comercial a corredor esvaziado
Quando fala da Getúlio Vargas, Marco cita memórias pessoais: “Eu morei ali. A gente brincava naquela praça. Hoje você vê vários comércios fechados.”
O esvaziamento tem múltiplas causas: fechamento de agências bancárias; queda do comércio de rua por causa dos shoppings; impacto do e-commerce no varejo tradicional; mudança no comportamento dos consumidores.
A queda no fluxo de pessoas levou à redução da vitalidade da avenida — algo observado em várias cidades brasileiras.
O poder de um calçadão
A comparação feita por Marco é com o calçadão da Rua XV de Novembro, projeto emblemático do urbanista Jaime Lerner, em Curitiba. Na época, foi considerado loucura. Hoje, é um caso clássico de sucesso urbano.
“Chamaram ele de louco. Hoje, a XV é o metro quadrado de comércio de rua mais caro de Curitiba. Porque as pessoas querem passear, têm estímulo para ir.”
O segredo, segundo ele, está na lógica simples, mas poderosa: onde há pessoas, há vida; onde há vida, há comércio.
A visão de Marco para a Getúlio Vargas é clara: “Se criar um calçadão, colocar cafés, barzinhos, quiosques, floricultura… as pessoas vão passear. Você revitaliza o centro e leva vida de novo para a região.”
Ele reconhece que existem desafios — como o acesso às garagens dos prédios residenciais e a falta de estacionamento — mas acredita que o modelo pode ser adaptado.
Valorização dos imóveis antigos
Mesmo com a resistência cultural ao “imóvel velho”, Marco observa um movimento crescente: “Tem muita gente procurando imóveis mais velhos, inclusive jovens, por causa do espaço e da localização.”
A tendência global de retorno ao centro — já visível em São Paulo, Curitiba e outras capitais — deve, cedo ou tarde, chegar a Maringá.
O centro de Maringá ainda tem vitalidade, mas enfrenta sinais de esvaziamento. Diferente de cidades mais antigas, onde processos de degradação se consolidaram ao longo de décadas, aqui ainda é possível agir antes que o abandono seja irreversível.
Assista ao episódio completo no YouTube
Apresentação: Ronaldo Nezo








Comentários estão fechados.