Revitalização da Getúlio Vargas: a visão de Marco Tadeu para transformar o coração da cidade

Presidente do Secovi defende união entre poder público e iniciativa privada para reimaginar a principal avenida de Maringá.

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    Entre os vários trechos marcantes da entrevista concedida ao Ponto a Ponto, um dos mais instigantes é a análise feita por Marco Tadeu Barbosa, presidente do Secovi, sobre o futuro da Avenida Getúlio Vargas. Para ele, o centro de Maringá ainda tem tempo de se reinventar — e o momento é agora.

    Marco compara o desafio à transformação vivida por outras cidades brasileiras e internacionais. Ele cita, por exemplo, a revitalização da Rua Riachuelo, no centro de Curitiba, onde uma área antes abandonada e marcada por comércio decadente foi completamente ressignificada.

    “Era brechó, prostituição, droga… e ficou muito bacana. Conseguiram revitalizar com incentivo à fachada, apoio de empresas de tinta, incentivo de IPTU.”

    Essa mudança, segundo ele, não depende apenas do poder público. Precisa também do envolvimento da iniciativa privada e da comunidade.

    Getúlio Vargas: de polo comercial a corredor esvaziado

    Quando fala da Getúlio Vargas, Marco cita memórias pessoais: “Eu morei ali. A gente brincava naquela praça. Hoje você vê vários comércios fechados.”

    O esvaziamento tem múltiplas causas: fechamento de agências bancárias; queda do comércio de rua por causa dos shoppings; impacto do e-commerce no varejo tradicional; mudança no comportamento dos consumidores.

    A queda no fluxo de pessoas levou à redução da vitalidade da avenida — algo observado em várias cidades brasileiras.

    O poder de um calçadão

    A comparação feita por Marco é com o calçadão da Rua XV de Novembro, projeto emblemático do urbanista Jaime Lerner, em Curitiba. Na época, foi considerado loucura. Hoje, é um caso clássico de sucesso urbano.

    “Chamaram ele de louco. Hoje, a XV é o metro quadrado de comércio de rua mais caro de Curitiba. Porque as pessoas querem passear, têm estímulo para ir.”

    O segredo, segundo ele, está na lógica simples, mas poderosa: onde há pessoas, há vida; onde há vida, há comércio.

    A visão de Marco para a Getúlio Vargas é clara: “Se criar um calçadão, colocar cafés, barzinhos, quiosques, floricultura… as pessoas vão passear. Você revitaliza o centro e leva vida de novo para a região.”

    Ele reconhece que existem desafios — como o acesso às garagens dos prédios residenciais e a falta de estacionamento — mas acredita que o modelo pode ser adaptado.

    Valorização dos imóveis antigos

    Mesmo com a resistência cultural ao “imóvel velho”, Marco observa um movimento crescente: “Tem muita gente procurando imóveis mais velhos, inclusive jovens, por causa do espaço e da localização.”

    A tendência global de retorno ao centro — já visível em São Paulo, Curitiba e outras capitais — deve, cedo ou tarde, chegar a Maringá.

    O centro de Maringá ainda tem vitalidade, mas enfrenta sinais de esvaziamento. Diferente de cidades mais antigas, onde processos de degradação se consolidaram ao longo de décadas, aqui ainda é possível agir antes que o abandono seja irreversível.

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    Apresentação: Ronaldo Nezo

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