Por que Maringá é uma cidade diferente? O protagonismo da sociedade civil, segundo Marco Tadeu Barbosa

O presidente do Secovi Noroeste explica um dos traços mais marcantes da identidade maringaense: a força da sociedade civil organizada.

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    O presidente do Secovi Noroeste, Marco Tadeu Barbosa, explica um dos traços mais marcantes da identidade maringaense: a força da sociedade civil organizada. Para ele, essa característica é decisiva para entender o desenvolvimento de Maringá e é o que diferencia a cidade de tantas outras regiões do país.

    A fala surge quando Marco comenta seu retorno a Maringá após morar 12 anos em Curitiba. Longe da cidade natal, ele percebeu com mais nitidez aquilo que muitos maringaenses já sabem intuitivamente: Maringá não apenas cobra do poder público — ela assume a responsabilidade junto com ele.

    “A sociedade de Maringá puxa para si a responsabilidade que seria do Poder Público”, afirma.

    O exemplo mais emblemático, segundo ele, é o Observatório Social de Maringá, criado para fiscalizar as contas municipais. Embora a função de fiscalização pertença ao Tribunal de Contas e ao Poder Legislativo, a sociedade maringaense decidiu formar uma estrutura apartidária e reconhecida nacionalmente para acompanhar licitações, analisar contratos públicos e monitorar gastos. Hoje, o modelo de Maringá é referência no Brasil e em outros países.

    Outro caso citado é o do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg). Em vez de esperar decisões estaduais ou federais, o grupo atua há anos para fortalecer a segurança da cidade, articulando recursos, reformando viaturas, auxiliando na compra de equipamentos e apoiando projetos estruturantes da Polícia Militar e da Polícia Civil.

    Marco relembra um episódio marcante: a instalação do Departamento Antidrogas da Polícia Federal em Maringá. Havia recursos federais garantidos, mas faltava dinheiro para projetos e documentos técnicos necessários para a licitação. A resposta veio da comunidade:

    “A sociedade se mobilizou, pagou o projeto, viabilizou tudo e, graças a isso, hoje temos o Departamento Antidrogas da Polícia Federal em Maringá.”

    Esse tipo de mobilização, segundo ele, não é um caso isolado. Projetos como o Masterplan, elaborado por consultoria internacional e financiado pela iniciativa privada, reforçam a tradição de Maringá em unir iniciativa pública e iniciativa privada em torno de um propósito comum: o desenvolvimento da cidade.

    A fala de Marco ecoa uma percepção cada vez mais evidente dentro e fora do Paraná. Especialistas, investidores e gestores públicos já identificam que Maringá consolidou um ecossistema único, no qual empresas, entidades, universidades e cidadãos participam ativamente de decisões estruturais, discutindo mobilidade, segurança, urbanismo, educação e planejamento de longo prazo.

    Essa cultura colaborativa, construída ao longo de décadas, explica por que tantas políticas públicas de Maringá foram aprimoradas com apoio externo, por que tantos equipamentos urbanos existem por iniciativa social e por que modelos criados aqui se expandiram pelo Brasil.

    Marco resume em uma frase aquilo que muitos já sentem no cotidiano:

    “Em Maringá, a sociedade não espera. Ela faz.”

    Este é apenas um dos temas abordados no podcast no canal do Maringá Post no YouTube. A entrevista traz ainda reflexões sobre crescimento urbano, mercado imobiliário, revitalização do centro, mobilidade, condomínios e o futuro da cidade.

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