O desafio das gerações no trabalho: “Ninguém sabe o que fazer, o bom senso é o que vai imperar”, diz Wil Teixeira

No podcast Ponto a Ponto, o cofundador da RH Gestor fala sobre o impacto da convivência entre diferentes gerações nas empresas, as mudanças nas formas de liderança e a busca por equilíbrio entre o presencial e o home office.

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    Para o jornalista e empreendedor Wil Teixeira, cofundador da RH Gestor, o mundo do trabalho vive uma transformação sem precedentes: várias gerações estão convivendo, pela primeira vez, no mesmo ambiente profissional.

    “Dos mercados mais tradicionais às startups mais modernas, todos estão passando por isso”, afirma. “É um fenômeno geracional e internacional. Pela primeira vez, temos várias gerações trabalhando juntas — geração X, Y, os milênios e agora a geração Z.”

    Essa convivência, explica Wil, não ocorre apenas nos escritórios. “Grande parte das empresas já atua em formato híbrido ou remoto. E a gestão à distância também é impactada pelo perfil das pessoas. Cada geração reage de uma forma ao trabalho em home office.”

    Home office ou presencial? 

    Segundo Wil, não existe modelo ideal de trabalho. O segredo, diz ele, está em encontrar o equilíbrio.
    “Ninguém tem uma solução pronta. O que eu tenho visto é que o bom senso é o que vai imperar. Cada empresa precisa entender até onde pode ir e o que está disposta a abrir mão.”

    Ele usa a própria experiência para exemplificar: “Eu gosto do presencial, gosto do contato. Mas tem pessoas que produzem melhor em casa. Há funções e perfis diferentes. Tem gente que dá certo no home office, e tem gente — principalmente quem está começando, como a geração Z — que precisa de um contato presencial maior para aprender, criar vínculo e amadurecer.”

    Novas gerações, novas lideranças

    Para além do modelo de trabalho, a convivência entre gerações está redesenhando o conceito de liderança.

    “As gerações mais novas têm outro modelo de líder. Elas querem alguém que inspire, que desafie, que as ajude a crescer”, explica Wil. “A geração do meu pai admirava líderes que enriqueceram ou chegaram ao topo da carreira. Já a geração Z quer um líder que tenha saúde mental, equilíbrio e empatia.”

    “Essa geração não quer só um chefe bem-sucedido financeiramente. Quer alguém que saiba lidar com pessoas, que entenda o ser humano por trás do cargo.”

    O resultado, segundo ele, é um desafio duplo: rever culturas organizacionais e preparar líderes capazes de inspirar sem reproduzir modelos ultrapassados.

    A liderança que inspira e o futuro do trabalho

    Wil acredita que esse movimento tende a amadurecer as empresas. “Estamos vivendo uma época de convergência. As novas gerações querem propósito, equilíbrio e diálogo. E isso obriga os líderes a se reinventarem”, afirma.

    No fim, o que prevalece é a necessidade de adaptação. “O mercado não quer mais empresas que tratam pessoas como máquinas. Também não quer empresas que só falam de propósito, mas não entregam resultado. O futuro está no meio-termo — humano, equilibrado e produtivo.”

    A convivência entre gerações traz ruídos, mas também oportunidades de aprendizado mútuo. Como resume Wil Teixeira, o caminho é o diálogo e o bom senso.

    “Não existe fórmula. Cada empresa vai ter que descobrir o que funciona — e isso exige escuta, empatia e flexibilidade.”

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