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Natural de Viçosa (MG), terra do doce de leite, Wil Teixeira sempre sonhou em trabalhar com publicidade. Mas foi no jornalismo, cursado na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que encontrou sua primeira porta de entrada para a comunicação. “Eu queria ser redator publicitário, mas na época havia poucas faculdades de publicidade. A alternativa mais próxima foi o jornalismo”, recorda.
Essa experiência o aproximou do mercado publicitário e do marketing, áreas que marcaram sua chegada a Maringá. “Eu entendia a cabeça do jornalista e também os limites entre propaganda e notícia. Isso me ajudou a transitar entre o comercial e a redação, criando pontes.”
A inquietação empreendedora sempre esteve presente. Após experiências em diferentes setores, Wil encontrou em César Carvalho o parceiro ideal para criar soluções em tecnologia. O embrião foi um CRM de vendas. Pouco antes da pandemia, os dois decidiram concentrar todos os esforços em um único produto: o RH Gestor.
“Tomamos a decisão de focar. Mudamos o chapéu, deixamos outros projetos de lado e mergulhamos no RH Gestor. Essa clareza fez toda a diferença.”
O resultado foi um crescimento rápido que culminou na aquisição da empresa pela Solids, maior HR Tech do Brasil. Hoje, Wil e seu sócio participam do processo de integração das equipes e cultura.
RH como motor estratégico das empresas
Na visão de Wil, o RH não pode ser tratado como área secundária. “Gestão de pessoas não é uma área de apoio. É o core da empresa”, afirma.
Segundo ele, a lógica de que o RH está apenas para pagar folha ou resolver burocracias já não se sustenta. “Você vai precisar recrutar, treinar, avaliar, dar feedback, pensar sucessão. Tudo isso é estratégico. O RH precisa estar sentado à mesa das decisões.”
Wil compara o momento atual ao vivido pelo marketing em 2010, quando ferramentas como HubSpot e RD Station transformaram campanhas em dados mensuráveis. “O RH agora também consegue medir impacto direto na receita da empresa. Isso muda tudo.”
Da fragmentação à integração tecnológica
Outro ponto destacado por Wil é a pulverização de softwares no setor. “Durante anos, as empresas compraram um sistema para recrutamento, outro para treinamento, outro para avaliação… Resultado: jornadas fragmentadas e retrabalho.”
Foi nesse cenário que surgiu a proposta do RH Gestor: oferecer tudo integrado em uma única plataforma. “Quando chegávamos nas empresas, dizíamos: resolvemos a dor de hoje, mas também a dor de amanhã. O gestor não precisava de dez logins para fazer o básico”, explica.
A escolha pela integração se mostrou decisiva para a rápida escalada da startup.
O impacto da Geração Z no mercado de trabalho
Entre os desafios atuais, Wil chama atenção para a chegada da Geração Z ao mercado. “É a primeira vez que tantas gerações convivem no mesmo espaço de trabalho. E ninguém tem uma solução pronta para isso.”
Na prática, as expectativas são diferentes das gerações anteriores. “A Gen Z quer líderes que inspirem, que cuidem da saúde mental, que ofereçam propósito. Salário importa, mas benefícios, cultura e ambiente são tão ou mais relevantes”, afirma.
Esses benefícios vão muito além do tradicional. “Hoje você fala de academia, nutricionista, telemedicina e até plano PET. Isso pesa na hora de reter talentos.”
Home office, híbrido ou presencial?
Se há uma discussão que divide opiniões, é a do modelo de trabalho. Para Wil, a resposta não está nos extremos.
“Não existe bala de prata. O que deve prevalecer é o bom senso. Há funções que permitem home office, outras não. E, para jovens em início de carreira, o contato presencial pode ser fundamental no começo.”
Planejamento estratégico em tempos de instabilidade
O ambiente de negócios no Brasil exige constante adaptação. “Eu fazia planejamento de três ou cinco anos. Hoje, pensar em um ano já é muito. Na prática, revisamos metas a cada trimestre”, conta.
Segundo ele, empreender no país é lidar com janelas que se abrem e fecham em ritmo acelerado. “O empreendedor brasileiro é um administrador do caos. É preciso sensibilidade para saber quando apertar ou soltar.”
Inteligência artificial: riscos e oportunidades
O tema da inteligência artificial permeia toda a conversa. Para Wil, a chave está em diferenciar hype de aplicação prática. “Sem dados proprietários, a IA te dá o mesmo que dá ao seu concorrente. O diferencial é plugar inteligência em sua própria base de informações.”
Ele defende que a IA pode ser um aliado poderoso no RH. “No recrutamento, ela faz triagens básicas, como verificar quem tem inglês fluente. Mas a decisão final deve ser humana. Já no desenvolvimento, pode criar planos de carreira personalizados.”
Um exemplo prático é o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI). “Com um clique, a IA busca histórico do colaborador — quando entrou, promoções, avaliações, treinamentos — e monta um plano sob medida. É poderoso porque deixa de ser genérico.”
Mudança como única certeza
Para Wil, a única constante é a mudança. “A única certeza que tenho é que amanhã vai mudar. Pode não ser claro o que vai mudar ou quando, mas vai acontecer.”
Ele reconhece que nem todos se adaptam bem a ambientes instáveis. “Há pessoas que sofrem muito com isso. Para elas, empresas tradicionais ou a carreira pública podem ser caminhos melhores. Já startups exigem flexibilidade o tempo todo.”
O recado final: multidisciplinaridade
Ao final da entrevista, Wil deixou um conselho a líderes, gestores e empreendedores: buscar referências fora da própria bolha. “Ponha áreas da sua vida em confronto. Se você é de tecnologia, estude comunicação. Se é de RH, entenda de negócios e vendas. Essa fusão de ecossistemas é o que diferencia carreiras.”
Ele reforça que a gestão de pessoas deve ser vista como motor de crescimento, e não como departamento secundário. “Eu não estou aqui para repor vagas. Estou aqui para te ajudar a bater metas.”
Wil também destacou o papel de Maringá como polo tecnológico em expansão. “Maringá se desponta como um ecossistema incrível. Tem coisas maravilhosas acontecendo aqui.”
Entre experiências pessoais, análises de mercado e provocações sobre o futuro, a entrevista com Wil Teixeira no Ponto a Ponto mostra como liderança, inovação e gestão de pessoas se entrelaçam no mundo contemporâneo. Uma conversa que vai além das empresas e serve como reflexão para qualquer profissional que lida, diariamente, com mudanças e com gente. Assista o vídeo em nosso canal do Youtube.








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