“Diploma por si só não diz nada, o que conta é a formação de qualidade”, alerta professor da Unifeitep

Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, o diretor acadêmico Antônio Peixoto critica a banalização do ensino superior, analisa o impacto do novo marco da EAD e defende a responsabilidade social das instituições.

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    A educação superior brasileira vive um momento de mudanças profundas e, ao mesmo tempo, de grandes desafios. Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, o professor doutor Antônio Peixoto de Araújo Neto, diretor acadêmico da UNIFEITEP, fez um alerta: a formação de qualidade não pode ser substituída por um diploma obtido a qualquer custo.

    “Ter um diploma atualmente não significa muita coisa. O que realmente importa é a seriedade do propósito ao longo da jornada e como esse conhecimento vai ser colocado a serviço da sociedade”, afirmou.

    Da engenharia à expansão multidisciplinar

    O professor relembrou a trajetória da instituição, que nasceu como um polo de ensino a distância em engenharia e se transformou em centro universitário em 2024. “A história da UNIFEITEP foi muito melhor do que a mantenedora pôde sonhar um dia”, destacou. Hoje, além das engenharias e da arquitetura, a instituição oferta cursos em áreas como psicologia, direito, comunicação, saúde e gestão.

    Segundo ele, a ampliação veio acompanhada da preocupação com a qualidade: “Não é sobre formar muitos, mas formar bem. O sonho que o aluno traz precisa ser nutrido com uma formação sólida, que permita a ele se tornar agente de transformação da sociedade.”

    A banalização do ensino superior

    Um dos pontos mais críticos da entrevista foi a avaliação sobre o modelo de ensino que trata a graduação como um “produto de prateleira”. Para Peixoto, muitas instituições privadas passaram a oferecer cursos como se fossem mercadorias, com preços baixos e pouco compromisso com a aprendizagem real.

    “Na última década, vimos cursos colocados como produtos de supermercado, onde o cliente compra muitas vezes pelo preço, deixando a qualidade em segundo plano. Isso me preocupa muito”, disse.

    Ele citou casos de alunos que chegaram à UNIFEITEP após anos de curso em outras faculdades, mas sem nunca terem feito uma prova presencial ou frequentado um laboratório — algo que, para áreas como engenharia e arquitetura, é impensável.

    O novo marco da EAD

    O cenário levou o Ministério da Educação a criar um novo marco regulatório para a Educação a Distância (EAD), exigindo critérios básicos como aulas ao vivo, avaliações presenciais e percentual obrigatório de atividades práticas.

    Para Peixoto, a medida foi bem-vinda:

    “O marco regulatório da EAD foi um presente. Ele cria garantias mínimas para que o processo formativo seja realizado com seriedade. Cursos como engenharia e arquitetura deixarão de ser ofertados totalmente a distância e passarão a ser semipresenciais ou presenciais, como deve ser.”

    Ele alertou ainda para o perigo de cursos ofertados a preços irrisórios: “Ver engenharia sendo vendida por R$ 69 é um problema social grave, que vai reverberar em uma crise imensa no setor produtivo.”

    Outro ponto crítico é a formação de professores. Enquanto a UEM enfrenta vagas ociosas em cursos presenciais, milhares se formam a distância em pedagogia — muitas vezes sem nunca ter feito prova presencial.

    “Esses profissionais vão atuar na alfabetização e no letramento matemático da primeira infância. Se não houver rigor, comprometemos a base da educação. A licenciatura exige prática, presença e acompanhamento.”

    Tecnologia, IA e formação prática

    A entrevista também abordou a presença cada vez maior da tecnologia e da inteligência artificial na educação. Para o diretor acadêmico, a IA deve ser vista como uma ferramenta de apoio, não como substituta de professores ou da experiência prática.

    “A tecnologia não vem para substituir pessoas. Ela vem para potencializar processos, mas a formação crítica e ética precisa ser garantida. É assim que preparamos nossos alunos para o mercado.”

    Na UNIFEITEP, cursos de EAD contam com metodologias práticas, como a aprendizagem baseada em problemas (PBL), que colocam o aluno diante de desafios reais da profissão. “Não é sobre a IA entregar o produto final, mas como o aluno conduz criticamente esse processo”, explicou.

    Peixoto falou também sobre a necessidade de atualização docente. Ele mesmo, professor desde 2014, reconhece que precisou se reinventar:

    “Ser professor é estar em constante evolução. Eu não sou o mesmo de 2014. A essência permanece, mas a prática se atualiza. Hoje, falar em inteligência artificial na sala de aula é natural, mas seria impensável há dez anos.”

    Formação voltada para problemas reais

    Peixoto defendeu que a universidade deve estar conectada às demandas concretas da sociedade. Ele citou projetos de extensão em Maringá, como a participação de alunos de arquitetura no planejamento do Parque Tecnológico de TI, na Avenida Nildo Ribeiro.

    “Não é simplesmente o projeto pelo projeto, mas o projeto para as pessoas. A formação superior precisa estar a serviço da sociedade, seja pela pesquisa, pela extensão ou pelo ensino”, resumiu.

    O recado final

    Encerrando a conversa, o professor deixou um recado direto aos estudantes que estão escolhendo a faculdade:

    “A educação transformou a minha vida e pode transformar a sua. Mas essa transformação acontece diariamente, com as escolhas que você faz, os ambientes que frequenta, os livros que lê. Já que é para ser moldado, que seja de uma forma que represente quem você quer ser lá na frente.”

    O episódio completo do podcast Ponto a Ponto com o professor Antônio Peixoto de Araújo Neto está disponível no canal do Youtube do Maringá Post. A produção é em parceria com o V Mark Produtora e Estúdio.

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