Motoristas da Uber paralisam atividades nesta quarta-feira (4/4), reivindicam melhor remuneração e criam cooperativa para aplicativo alternativo. Serviço permanece atendendo

Por: - 4 de abril de 2018
Mais de 100 motoristas estão parados no estacionamento do estádio Willie Davids em mobilização / Divulgação

Até as 18h desta quarta-feira (4/4), os motoristas de Uber estão parados em Maringá para reivindicar uma melhor remuneração sem onerar os usuários. São cerca 100 motoristas concentrados no estacionamento do estádio Willie Davids desde às 9h e uma carreata começou agora pouco.

Na última terça-feira (3/4), cerca de 150 motoristas da Uber se reuniram e deram inicio à criação de uma cooperativa, com o objetivo de desenvolver um aplicativo alternativo, para atender Maringá.

A paralisação de parte dos motoristas da Uber não chegou a prejudicar de maneira importante o atendimento à população. A grande maioria deles continua rodando normalmente.

A Associação dos Motoristas de Aplicativos de Maringá e Região fez a convocação motivada pelo aumento da taxa recolhida pela Uber e o baixo preço do quilômetro rodado, enquanto o custo de manutenção dos veículos aumentou.

O valor pago pela Uber é composto de uma taxa-base de R$ 2,50 e um preço de R$ 1 pelo quilômetro rodado e R$ 0,20 pelo minuto. “Do valor total da corrida, dependendo do percurso, a taxa cobrada pela Uber varia entre 25% e 40%”, disse o presidente da associação, Amilton Viera.

Segundo ele, em algumas capitais o valor cobrado por quilômetro é de R$ 1,40 e o preço-base passa dos R$ 3. “A empresa não informa quanto ganha por quilômetro rodado e não tem comunicação nenhuma com ninguém”, disse.

Os preços não acompanham as condições locais e são definidos pela Uber de forma independente. Mesmo com o preço da gasolina em alta desde o começo do ano, o valor da corrida não foi reajustado.

Uber não responde a motoristas

O motorista Durval Carriel, que é membro da associação, relatou que a mobilização foi a medida adotada por não existir comunicação com a empresa, mesmo com a presença de um escritório em Maringá.

“É um descaso com os motoristas. A única coisa que podemos falar é sobre uma corrida específica, mas não temos espaço para discutir outros problemas como o aumentos dos custos e preços melhores dependendo do período”, reclamou.

Muitos dos motoristas que trabalham com a Uber e participam da manifestação desta quarta entraram no serviço por enxergarem uma possibilidade de dinheiro extra e rápido, segundo relatos. Pouco mais de um ano depois dos serviços começarem em Maringá, a realidade é outra.

“O custo está aumentando muito, enquanto o ganho é menor. Com o número muito maior de motoristas, a demanda fica distribuída e ninguém ganha bem. A parceria está ficando cada vez menos viável para nós, enquanto eles continuam lucrando”, disse Carriel.

Até o momento, a empresa não se manifestou sobre a movimentação dos associados em Maringá.

Outros aplicativos são alternativa

A Cooperativa dos Motoristas de Aplicativos, criada no auditório Hélio Moreira na terça-feira, já está desenvolvendo um aplicativo de atuação local para transporte particular de passageiros, pretendendo concorrer com a Uber.

Além disso, a empresa brasileira 99 também anunciou a chegada do aplicativo 99Pop a Maringá em 2018. Neste caso, a taxa é de 19,99%, abaixo do valor cobrado pela Uber.

Tem uma dica de notícia? Fez alguma foto legal? Registrou um flagrante em vídeo? Compartilhe com o Maringá Post, fale direto com o whats do nosso editor-chefe.