A base como sobrevivência: por que formar atletas é questão de vida ou morte para clubes como o Galo Maringá

Com orçamento limitado e pouca margem para erro, formação de atletas vira eixo central do projeto esportivo e financeiro no interior.

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    Quando o assunto é sustentabilidade no futebol, o discurso de Paulinho Regini é direto e sem rodeios. Para o diretor de futebol do Galo Maringá, investir na base não é apenas uma escolha esportiva ou social, mas uma necessidade estrutural. “A base é o pulmão de tudo. O coração de qualquer clube no mundo é a base”, afirmou no podcast Ponto a Ponto.

    A lógica apresentada por Regini parte de uma realidade incontornável: clubes do interior operam com orçamentos enxutos, calendário instável e receitas limitadas. Sem a formação de atletas, o clube fica refém de contratações pontuais, contratos curtos e custos elevados, sem a possibilidade de retorno financeiro no médio prazo.

    No Galo Maringá, o trabalho de base começa cedo. Segundo o dirigente, o clube atua com categorias a partir dos 9 anos de idade, estruturando um processo gradual que passa pelo sub-15, sub-17 e, mais recentemente, pelo sub-20. Em 2025, o time sub-20 conquistou o acesso à elite estadual da categoria, resultado que, para Regini, valida o investimento contínuo.

    A formação, no entanto, segue regras rígidas. Até os 14 anos, os atletas precisam ser da cidade ou da região, já que o alojamento só é permitido legalmente a partir dessa idade. A partir daí, o clube passa a receber jovens de diferentes estados do país, ampliando o alcance da captação e diversificando o perfil dos atletas.

    Esse processo ganha força quando aliado à vitrine das competições nacionais de base. A participação indireta na Copa São Paulo de Futebol Júnior, por meio de parceria, é citada por Regini como exemplo de como a exposição muda o cenário. Jogos de grande visibilidade atraem olheiros, empresários e clubes maiores, transformando jovens formados no clube em ativos esportivos e financeiros.

    Para além do aspecto econômico, o dirigente também chama atenção para o caráter formativo do processo. Nem todos os atletas chegarão ao futebol profissional, e o clube precisa lidar com expectativas de famílias e jogadores ao longo de um caminho longo, incerto e exigente. Ainda assim, Regini defende que respeitar o tempo da formação é essencial para evitar frustrações e perdas precoces de talento.

    No contexto atual do futebol brasileiro, em que clubes das Séries A, B e C contam com calendário anual e maior estabilidade, a base se torna ainda mais decisiva para equipes que buscam entrar nesse circuito. Garantir presença em competições como a Série D amplia jogos, visibilidade e oportunidades de negociação, criando um ambiente mais favorável para o desenvolvimento dos atletas formados em casa.

    Para o Galo Maringá, formar jogadores deixou de ser apenas um projeto esportivo e passou a ser estratégia de sobrevivência. Um caminho que exige paciência, investimento constante e visão de longo prazo, mas que, segundo a direção do clube, é o único capaz de sustentar o futebol profissional fora dos grandes centros.

    A entrevista completa com Paulinho Regini, em que ele aprofunda o trabalho de base e os desafios da formação no futebol atual, está disponível no Ponto a Ponto, apresentado pelo jornalista Ronaldo Nezo, no YouTube do Maringá Post.

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