Bebê de dois meses morre em Sarandi e família alega negligência médica

  • Um bebê de dois meses de vida faleceu após dar entrada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Sarandi, no dia 23 de novembro.

    Ravi Lucca, que nasceu prematuro, apresentou estado febril no fim de semana do dia 22/11 e foi prontamente levado pelos familiares à unidade de atendimento médico. Na ocasião, ele foi atendido, medicado e liberado. Contudo, no dia seguinte, domingo (23), a mãe da criança observou um nódulo em seu pescoço, situação que levou o bebê novamente à UPA de Sarandi.

    Ao dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento, a criança passou por exames que apontavam duas infecções, no sangue e de urina. A equipe médica, então, administrou um medicamento antibiótico no bebê. Entretanto, a avó de Ravi Lucca, Graziela Sansiviri, alertou a equipe que a criança poderia ter algum tipo de reação alérgica, já que o pai tem quadro de alergia à medicamentos.

    Ainda segundo o relato da avó, poucos minutos após a criança receber a medicação, ela apresentou sinais de reação alérgica. A família, desesperada, procurou a médica responsável pelo atendimento, mas não a encontrou na unidade.

    “Quando foi umas duas horas [da manhã] ela deu um antibiótico pra ele, e em dez minutos ele começou a inchar o corpo, começou a ficar roxo, começou a ter muita dificuldade pra respirar. A gente correu, foi chamar a médica, chegou lá, a médica não tava na UPA.

    Ainda na UPA, Ravi foi então levado ao Centro de Tratamento Intensivo (CTI), onde foi atendimento por outro médico, que administrou uma nova medicação para reverter o quadro alérgico que a criança apresentava.

    “Fomos no CTI, chegou no CTI o médico veio, levou ele pro CTI, colocou ele no oxigênio, deu uma dose de adrenalina pra ver se cortava a reação [alérgica], não cortou e eles seguraram ele lá até cinco e pouco da manhã”, disse a avó Graziela.

    Sem melhorar o estado de saúde de Ravi Lucca, a criança foi encaminhada à Santa Casa de Maringá. No hospital, o bebê de dois meses de vida sofreu quadro paradas cardiorrespiratórias e acabou falecendo.

    A família da criança afirma que o prontuário médico da UPA de Sarandi não foi disponibilizado. Desta forma, no registro de óbito, a causa da morte foi sinalizada como decorrência de uma broncoaspiração.

    Na semana em que o pequeno Ravi faleceu, a família registrou um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil de Sarandi. Ao Maringá Post, Graziela, avó da criança, afirmou que até o momento a Secretaria de Saúde de Sarandi não forneceu o prontuário médico do atendimento na UPA.

    “A prefeitura de Sarandi não me deu nenhum apoio, nada, sequer ligou pra perguntar se a minha filha estava bem, se a gente estava bem, se a gente estava precisando de apoio psicológico, de qualquer coisa. Não deu. O prontuário dele até agora a gente não conseguiu pegar.”

    Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Sarandi informou que lamenta profundamente o ocorrido e que um processo administrativo para a apuração dos fatos será instaurado. Leia a nota na íntegra.

    “A secretaria municipal de saúde de Sarandi vem por meio deste lamentar profundamente o ocorrido com o pequeno Ravi. Informamos que será instaurado um processo administrativo para apuração dos fatos noticiados e se constatado alguma falha no atendimento médico a devida responsabilização dos envolvidos. Nos colocamos à disposição dos familiares para prestar quaisquer informações necessárias para eventuais esclarecimentos.”

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