Do Caribe à França: Duas almas indomáveis

Jimmy Cliff e Brigitte Bardot se despediram do mundo deixando um legado fascinante para uma legião de fãs.

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    Por Edson Calixto Junior

    Dezembro está acabando. O ano está acabando. Mas precisamos falar de duas figuras extraordinárias que marcaram o mundo com luz própria neste final de ano.

    Jimmy Cliff, que nos deixou recentemente, e Brigitte Bardot, um mito vivo que atravessou o século como poucas pessoas conseguiram. Dois nomes separados por oceanos, idiomas e linguagens artísticas, mas unidos por algo raro: ambos foram mais do que artistas — foram símbolos de liberdade, atitude e transformação cultural.

    Tive a honra de entrevistar Jimmy Cliff no começo dos anos 1990, depois de um show histórico que varou a madrugada em Governador Valadares. Ao amanhecer, ainda com a música ecoando no corpo, troquei algumas palavras com ele. Simpático como sempre, disse que era incrível cantar pelo Brasil.

    Jimmy levou o reggae para o mundo com alma, consciência e poesia — e também dialogou com o cinema, seja com sua presença magnética, seja com canções que viraram trilha de gerações. “Now and Forever” é uma de suas joias mais delicadas, daquelas que atravessam o tempo — e que um dia me fizeram ousar uma versão em português, tamanha a intimidade emocional que ela provoca.

    Já Brigitte Bardot entrou na minha vida primeiro pela música. Eu tinha cerca de dez anos quando ouvi, curioso, uma canção de Miguel Gustavo que levava seu nome — compositor genial, cujo LP sigo procurando há mais de duas décadas pelos sebos do Brasil. A curiosidade virou fascínio alguns anos depois, quando, aos 15 para 16, comecei a descobrir o cinema europeu e o impacto daquela mulher que redefiniu sensualidade, liberdade feminina e presença de tela.

    Bardot não foi apenas cinema: foi comportamento, ruptura e, mais tarde, uma voz incansável na defesa dos animais e do meio ambiente. Uma artista que soube sair de cena e transformar sua fama em causa.

    Jamais haverá outra mulher como Brigitte Bardot. Jamais haverá outro reggae man como Jimmy Cliff. Um cantou a liberdade com ritmo e consciência; a outra encarnou a liberdade com imagem, gesto e coragem. Dezembro se despede, o ano se fecha… mas há legados que não conhecem calendário.

    EDSON CALIXTO JUNIOR é escritor, teólogo e jornalista. Trabalhou na Rádio CBN, Diário do Rio Doce e Rede Novo Tempo de Comunicação. Foi assessor de imprensa na Assembleia Legislativa do Paraná (2003 – 2010). Bacharel em Administração de Empresas pela FGV, com MBA em Gestão, atualmente é servidor público federal.

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