Transformando vidas: Instituto Ethnos Brasil oferece apoio a migrantes e refugiados em Maringá

O Instituto de Maringá oferece regularização documental, aulas de português, oficinas culturais, apoio social, entre outros serviços.

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    Maringá é frequentemente reconhecida como uma das melhores cidades para se viver no Brasil, com bons indicadores de qualidade de vida, saúde e desenvolvimento urbano. Mas, o que muita gente não sabe, é que a cidade tem se tornado um destino procurado por migrantes e refugiados em busca de melhores condições.

    Apenas entre janeiro e novembro de 2025, mais de 1,3 mil pessoas de 34 nacionalidades foram acolhidas pela prefeitura de Maringá. Apesar do atendimento realizado pelo município, a demanda de apoio para essa população continua alta – e é nesse contexto que o Instituto Ethnos Brasil desenvolve serviços de inclusão e integração para migrantes e refugiados.

    A organização atua na garantia e defesa de direitos da população refugiada e migrante, principalmente crianças e adolescentes. O propósito é garantir essas pessoas se sintam pertencentes à sociedade e consigam reconstruir suas vidas no Brasil com dignidade.

    “[O objetivo é] que eles possam se sentir pertencentes àquele lugar e possam se sentir felizes, produzir, trabalhar, pagar impostos. Então, é uma inclusão e um resgate da melhoria de vida deles”, explica a diretora da instituição, Dinalva Souza Ferreira Oliveira.

    Atualmente, o Instituto Ethnos Brasil atua em diversas áreas, incluindo:

    • Regularização documental (refúgio, residência, naturalização);
    • Aulas de português;
    • Oficinas de música, canto coral, artes e incentivo à leitura;
    • Atendimento social, psicológico e jurídico;
    • Assistência social e encaminhamento para políticas públicas;
    • Apoio alimentar e doação de roupas.

    Ao longo de 2025, a ONG registrou 1.679 atendimentos de pessoas de 38 nacionalidades. Além disso, 47 crianças frequentam o instituto regularmente e todas apresentam melhora significativa, especialmente na linguagem e na inclusão social. “A importância é que, aqui, eles se sentem pertencentes”, reforça Dinalva.

    Foto: Instituto Ethnos Brasil

    De acordo com a assistente social Daniela Luz, é essencial que a sociedade, como um todo, se mobilize para acolher migrantes e refugiados, principalmente porque a maioria não vem para o Brasil por escolha, mas devido às condições insustentáveis em seus países de origem.

    “Eles [migrantes e refugiados] não estão aqui porque querem. É diferente. Eles vêm para cá por questões de fome, de guerra… Eles não estão conseguindo mais viver no país deles. […] Eles estão aqui porque eles precisam estar aqui”, explica.

    Para a profissional que acompanha essas trajetórias, é fundamental entender que “refugiados e migrantes carregam histórias marcadas por rupturas e recomeços, eles necessitam de um olhar diferenciado da sociedade, mais humano, sensível e comprometido com a proteção social, garantindo condições para reconstruírem suas vidas com dignidade”, declara.

    A diretora Dinalva também aborda um preconceito comum: a ideia de que migrantes e refugiados estariam “tirando algo” dos cidadãos do país que os acolhe. Ela deixa claro que essa percepção não corresponde à realidade.

    “Todos que nós conhecemos, eles não querem nada de graça. Eles querem dignidade. Então, eles querem conseguir um trabalho, eles querem alugar a casa deles, eles querem morar ali com a família, eles querem trazer a família, tirar a família de lá, onde eles estão, naquela situação, para trazer para cá”.

    Histórias de quem precisou recomeçar

    O Instituto Ethnos Brasil tem como missão garantir vida digna, acesso a direitos e autonomia a migrantes e refugiados em Maringá. Entre as pessoas que recebem apoio está Laura Sankova, uma mulher russa que fugiu do país por causa da guerra com a Ucrânia.

    Laura veio para o Brasil há cerca de três anos, junto com o marido e as três filhas. Ela conta que o cônjuge foi convocado para lutar na guerra, mas eles eram contra por questões religiosas e por acreditarem que os ucranianos não eram seus inimigos.

    “Nós não queremos, por causa da nossa fé em Cristo. Não podemos ir à guerra. E a Ucrânia faz parte do nosso povo; são nossos irmãos”, diz.

    Laura Sankova com a família / Foto: Arquivo pessoal

    Hoje, toda a família de Laura é atendida pelo Instituto Ethnos Brasil. Embora ela sinta falta da Rússia e tenha o desejo de voltar um dia, ela agradece por todo o apoio que tem recebido em Maringá:

    “Para mim, como estrangeira, é muito importante a bondade dessas pessoas, a positividade, os corações abertos. Isso é essencial: acolher os estrangeiros e não tratá-los como uma raça inferior, mas ajudá-los em tudo”.

    O nigeriano Ọmọọba Adésọjí Olúwaásànyà Elijah Tàlàbí JP também chegou ao Brasil há aproximadamente três anos, fugindo da situação crítica em seu país, marcada por crises de segurança, insurgência e sequestros.

    Apesar das dificuldades para se adaptar a um país diferente, ele valoriza o acolhimento recebido: “Felizmente, o Brasil nos aceitou completamente. Então é um lar totalmente novo para nós”.

    Ọmọọba Adésọjí Olúwaásànyà Elijah Tàlàbí JP na prefeitura de Maringá / Foto: Arquivo pessoal

    Atualmente, Ọmọọba vive em Maringá com a esposa e os seis filhos, todos cidadãos brasileiros. Ele é o líder da Comunidade Nigeriana e trabalha com a promoção da cultura africana na cidade.

    Sobre o Instituto Ethnos Brasil, ele elogia o trabalho realizado:

    “Vejo o Ethnos como uma instituição humanitária. Honestamente, eles são incríveis. Tudo o que fazem — aulas, documentação, música, bazar, qualquer coisa — é oferecido gratuitamente. Eles realmente estão fazendo um trabalho maravilhoso. E sei que, com mais apoio, poderão fazer ainda mais. Eles precisam de suporte”, conclui.

    Como ajudar?

    Apesar de ser uma organização social sem fins lucrativos, o Instituto Ethnos Brasil depende de recursos para manter suas atividades. Entre as fontes de financiamento estão os projetos aprovados pela Lei Rouanet e pelo FIA (Fundo da Infância e Adolescência), que permitem que pessoas físicas e jurídicas direcionem parte do imposto de renda devido para apoiar causas sociais.

    Além disso, o Instituto Ethnos Brasil mantém um bazar permanente com roupas, cuja arrecadação é destinada aos projetos sociais. Futuramente, a instituição realizará um bazar com itens doados pela Receita Federal.

    Também é possível fazer doações diretamente pelo site do Instituto Ethnos Brasil. Clique aqui para fazer a sua contribuição.

    Para mais informações ou para ajudar o Instituto Ethnos Brasil, entre em contato por meio dos seguintes canais:

    Telefone: (44) 3346-2024
    Site: https://ethnos.org.br/
    Instagram: @institutoethnosbrasil

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