Lei quer criar campanha permanente de conscientização contra o aborto em unidades de saúde de Maringá

Com a tramitação travada desde outubro do ano passado, projeto voltou a ser comentado após publicação de Giselli Bianchini (PP), autora do texto, nas redes sociais. Proposta foi reprovada pela Comissão Extraordinária de Saúde Pública da Câmara, mas teve pareceres positivos da Comissão de Constituição e Justiça e da Secretaria Municipal de Saúde.

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    Um projeto em tramitação na Câmara de Maringá quer criar uma campanha permanente de conscientização contra o aborto nas unidades públicas de saúde da cidade. O texto é de autoria da vereadora Giselli Bianchini (PP). Embora a tramitação ocorra há quase 1 ano, o projeto voltou a ser assunto após a própria parlamentar fazer uma publicação em suas redes sociais nessa segunda-feira (12).

    Em um post em seu perfil pessoal no Instagram, Bianchini afirma ser a autora de um projeto de lei que “determina que órgãos de saúde informem a população sobre os prejuízos do aborto”.

    “Diga não ao aborto. […] No âmbito do Município de Maringá, este projeto incentiva os serviços públicos de saúde a promoverem ações de orientação e informação à população sobre os riscos e as consequências negativas do aborto ou da interrupção da gestação”, escreveu a vereadora.

    Formalmente, o projeto de lei 17188/2025 é apelidado de “Campanha Permanente em Prol da Vida” e diz, no texto, que o objetivo é a criação de uma campanha de conscientização que “será realizada por meio do conjunto de atividades e mobilizações antiaborto, com vistas a multiplicar o conhecimento a respeito dos meios contraceptivos e a promover conscientização sobre a importância do planejamento familiar, bem como sobre os efeitos psicológicos e colaterais que um aborto causa à mulher”. O projeto, na íntegra, pode ser lido através deste link.

    Durante a tramitação, o texto dividiu opiniões de vereadores e da própria Prefeitura em seus pareceres. Até o momento, a proposta recebeu aval da Procuradoria Jurídica da Câmara e da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A Comissão Extraordinária de Saúde recomendou veto ao texto, enquanto a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, emitiu parecer favorável, mas com ressalvas. A Comissão de Finanças e Orçamento (CFO), embora tenha levantado questionamentos com relação aos custos de uma campanha de conscientização sobre o tema, devolveu o texto ao gabinete da vereadora para correções.

    A última tramitação do projeto, conforme o Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL), ocorreu no dia 30 de outubro. Desde então, o texto não foi devolvido para nova análise das Comissões.

    Procurada pelo Maringá Post, a vereadora Giselli Bianchini (PP) não comentou o assunto. O espaço segue aberto para manifestações.

    Permissão ao aborto em situações específicas e respeito a autonomia da mulher sobre o corpo

    Em um parecer assinado no dia 9 de outubro de 2025, a Secretaria Municipal de Saúde, embora tenha sido favorável ao projeto, fez algumas ressalvas. De acordo com o documento, que o Maringá Post teve acesso, qualquer campanha de conscientização deveria considerar que o Código Penal Brasileiro “admite a realização do aborto em situações específicas, como nos casos de gravidez resultante de estupro, de risco de vida à gestante e, por decisão judicial, em hipóteses de anencefalia fetal”.

    O parecer também cita “a importância de resguardar o direito à autonomia da mulher sobre seu
    corpo e sua saúde, em consonância com os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da liberdade individual e do acesso universal às ações e serviços de saúde”.

    “Portanto, qualquer campanha de conscientização deve respeitar e reconhecer tais previsões legais, evitando interpretações que possam restringir direitos já assegurados”, escreveu a Secretaria Municipal de Saúde.

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