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O secretário de Saúde de Maringá, Antônio Carlos Nardi, foi o entrevistado do mais recente episódio do podcast Ponto a Ponto, produzido pelo Maringá Post em parceria com a V Mark Produtora e Estúdio. Em uma conversa de mais de 50 minutos, ele fez um balanço dos primeiros meses à frente da pasta e apresentou as prioridades para os próximos anos, em uma gestão que já enfrenta grandes desafios.
Nardi, que já havia ocupado o cargo em gestões anteriores e também teve passagem pela Secretaria de Estado da Saúde e pelo Ministério da Saúde, voltou ao comando da saúde de Maringá neste início de 2025, no governo do prefeito Silvio Barros (PP). “É missão. Eu estava tranquilo, curtindo a família e os netos, mas senti que era possível fazer mais por Maringá. A motivação é poder entregar resultados concretos”, afirmou.
Marcas da pandemia e rede fragilizada
Um dos pontos enfatizados pelo secretário foi o impacto duradouro da pandemia de Covid-19 na rede pública de saúde. Além da pressão sobre os serviços, Nardi lembrou do desgaste físico e emocional das equipes.
“O Covid teve um marco importante dentro da saúde do Brasil e do mundo. Os colaboradores adoeceram junto com a população. Hoje precisamos olhar para os servidores com atenção diferenciada”, disse.
Ele também citou dificuldades estruturais em unidades básicas, com problemas de manutenção, reformas e licitações demoradas. “Encontramos fragilidades em telhados, encanamentos, paredes, pintura. Processos públicos de contratação são lentos e ainda estamos correndo atrás dessas adequações”, destacou.
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Falta de médicos e equipes incompletas
A carência de profissionais, especialmente médicos, é outro desafio. Nardi revelou que a cidade chegou a ter déficit de quase 40 médicos nas equipes de saúde da família, além da necessidade de contratar técnicos e enfermeiros.
“Publicamos credenciamento médico e criamos novos cargos de técnicos de enfermagem para recompor as equipes. Hoje Maringá tem 99 equipes de saúde da família, mas parte delas estava sem médico. E a saúde não se faz apenas com consultas. É preciso linha de cuidado com psicólogos, dentistas, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, agentes comunitários. Sem isso, o paciente diabético ou hipertenso acaba na UPA em situação aguda, quando poderia ter sido acompanhado antes”, explicou.
Programa Maringá Saudável e alerta sobre vapes
Entre as políticas em andamento, o secretário destacou o Programa Maringá Saudável, estruturado em três pilares: promoção da atividade física, combate ao tabagismo e incentivo à alimentação saudável.
“O vape hoje é vendido como se fosse um brinquedo que solta fumaça, mas não é um brinquedinho. Ele é uma arma suicida. Temos crianças usando isso em larga escala”, alertou.
Ele lembrou que o câncer de pulmão e as doenças cardiovasculares seguem como as principais causas de mortalidade em Maringá e que a obesidade infantil já é considerada um dos maiores problemas de saúde pública.
Trânsito e a sobrecarga dos hospitais
Nardi classificou os acidentes de trânsito como uma verdadeira epidemia. Segundo ele, leitos hospitalares estão ocupados não apenas por doentes, mas por vítimas de politraumatismos.
“Os nossos leitos hospitalares estão sobrecarregados de não doentes. Pessoas fraturadas, amputadas, que depois precisarão de fisioterapia, órtese, prótese, assistência social. O impacto não é só imediato, é de longo prazo”, afirmou.
Fila de 126 mil procedimentos e programa “Agora Tem Especialistas”
A fila de espera na saúde maringaense impressiona: são 126 mil procedimentos represados, entre consultas, exames e cirurgias. Para reduzir esse gargalo, a cidade foi escolhida como piloto no Paraná do programa federal Agora Tem Especialistas.
“O programa vem cofinanciar consultas e cirurgias com meta de oferecer diagnóstico e tratamento em até 60 dias. Incluímos linhas de cuidado em oncologia, cardiologia, otorrino, ortopedia e neurologia, além de obstetrícia e oftalmologia. Estamos muito animados com essa possibilidade de dar resposta rápida à população”, disse.
Ele também revelou que somente nos primeiros seis meses foram realizados mais de 30 mil atendimentos especializados, como forma de diminuir a demanda reprimida.
Duas novas UPAs e obras em andamento
Um dos compromissos de campanha do prefeito Silvio Barros foi confirmado pelo secretário: a construção de duas novas UPAs, Leste e Oeste, que já contam com recursos assegurados por emendas federais, apoio do governo estadual e contrapartida municipal.
“As duas UPAs já estão garantidas. É uma necessidade para tornar a rede sustentável e distribuir melhor o atendimento de urgência pela cidade”, explicou.
Além delas, a secretaria deve entregar a nova UBS São Clemente ainda em 2025 e retomar obras como a UBS Alvorada I, demolida e nunca reconstruída, e reformas de unidades como a Alvorada III e a Cidade Alta.
Hospital da Criança e a oncologia pediátrica
Outro ponto central da entrevista foi o avanço do Hospital da Criança de Maringá, considerado uma das maiores estruturas hospitalares do Sul do país voltadas ao atendimento infantil.
O hospital já abriu 10 leitos de UTI e um ambulatório de genética e doenças raras. Agora, inicia o serviço de oncologia pediátrica, com previsão de realizar as primeiras cirurgias ainda em 2025.
“Estamos adiantando em quase três anos o cronograma de implantação. Até dezembro, já teremos cirurgias oncológicas pediátricas em Maringá. Isso significa que nossas crianças não precisarão mais ser levadas a Curitiba. É uma conquista enorme para as famílias”, afirmou Nardi.
Polêmicas nas UPAs e atendimento humanizado
A entrevista também abordou polêmicas recentes, como o caso de médicos que atenderam apenas três pacientes por turno na UPA Zona Norte. Nardi reconheceu o problema, mas disse que as equipes já foram readequadas.
“Hoje temos oito a dez médicos por turno na UPA Zona Norte, quando o mínimo exigido seria cinco. Alguns profissionais que não se adequaram já foram substituídos. O foco agora é humanizar o atendimento, porque cada usuário tem sua dor e precisa ser respeitado”, destacou.
Caixa equilibrado e prioridade da saúde
Encerrando a entrevista, o secretário afirmou que o caixa da saúde está equilibrado e que os recursos necessários estão assegurados pelo município, Estado e União.
“O problema não é financeiro neste momento. Temos garantias do prefeito de que saúde é prioridade e conseguimos resgatar recursos que estavam parados. O desafio é transformar isso em resultados concretos para a população”, finalizou.
O episódio completo do podcast Ponto a Ponto, com a participação de Antônio Carlos Nardi, pode ser assistido no canal do Maringá Post no YouTube.








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