Haitianos criam entidade em Maringá para ajudar imigrantes e refugiados que chegam do Haiti

7 de setembro de 2021
haitianos
Os abatedouros de frango da região são os principais postos de trabalhos para os imigrantes e refugiados haitianos

A partir desta terça-feira, 7 de setembro, os haitianos que vivem em Maringá passam a ter uma entidade para representá-los, ajudá-los a desembaraçar documentos e ainda como enfrentar as diferenças sociais e culturais, enfim, integrar os que já estão na cidade e ajudar os qu chegam.

Acaba de ser criada a Associação dos Haitianos de Maringá, entidade que nasceu da necessidade de organizar os haitianos que já vivem na cidade e promover formas de inserção, até mesmo manter um cadastro atualizado de cada um dos imigrantes do Haiti que está em Maringá, inclusive com os contatos de familiares e amigos dele que continuam no Haiti.

Maringá já conta com uma entidade que congrega imigrantes, a Associação dos Estrangeiros Residentes na Região Metropolitana de Maringá. E recentemente, por iniciativa da prefeitura e da Cáritas Diocesana, foi fundado o Conselho Municipal de Direitos dos Imigrantes e Refugiados,  além de um Centro de Referência para Imigrantes e Refugiados.

Segundo o presidente da entidade, Jean Baptiste, para um estrangeiro em uma terra nova tudo é barreira. Primeiro que ele chega à nova terra em situação em inferioridade, por ter saído de sua pátria possivelmente para fugir de uma situação insustentável, segundo porque para ele tudo será estranho na nova terra, a começar pelo idioma, por geralmente não ter uma profissão definida e quase sempre não tem na cidade alguém com quem possa contar.

“Sem conhecer as leis locais e sem saber se comunicar, esse imigrante precisará acertar sua situação jurídica no novo país, obter determinados documentos, aprender uma profissão, arranjar emprego. Tudo isto que parece fácil para quem é daqui, é uma barreira quase instransponível para um imigrante que chega em situação desfavorável”, explica o presidente.

É neste ponto que Jean Baptiste justifica a criação de uma entidade para auxiliar em todas suas formas de inserção,superação dos obstáculos encontrados, identificando as barreiras para sua integração na sociedade e, promovendo esta integração.

Baptiste diz não entender o porquê de os haitianos de Maringá não terem constituído uma entidade há mais tempo, já que trata-se do maior grupo de imigrantes na cidade e alguns já vivem aqui há muito tempo. O acordo entre Brasil e Haiti, concedendo vistos humanitários, é de 2010 e desde aquela época a comunidade haitiana só cresce, não só em Maringá, mas também nos municípios conurbados, como Mandaguaçu e Sarandi. Em 2018, eram 5,5 mil haitianos na região de Maringá, segundo o Núcleo Migração e Imigração da Polícia Federal.

Como o Haiti vive uma situação muito ruim, problemas de diferentes origens, é preciso que os “irmãos” maringaenses estejam preparados para atender aos “irmãos” que chegarem, defende a nova entidade