Pesquisadores desenvolvem protótipos de respiradores no Hospital Universitário de Maringá

Por: - 6 de julho de 2020
Hospital universitário desenvolve dois protótipos de respiradores
Protótipo de respirador não invasivo desenvolvido pelo hospital universitário pode ser reutilizado/ Foto: Divulgação

Profissionais e pesquisadores da graduação e pós-graduação dos cursos de medicina e física da Universidade Estadual de Maringá (UEM) desenvolveram dois protótipos de respiradores. Os aparelhos já entraram em testes no Laboratório de Habilidades do Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM).

Um dos respiradores é baseado em um modelo de oxigenador que funciona com “modo de ventilação não invasiva”. Segundo um dos professores responsáveis pelo projeto, Edson Arpini Miguel, o modelo é como um “grande capacete de plástico”, e é utilizado no mundo todo em pacientes que não tenham um nível de gravidade tão extremo.

Já o segundo protótipo desenvolvido é um modelo de ventilador mecânico. Entre as várias modalidades de ventilação,este modelo serve para utilizado em pacientes com insuficiência respiratória em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Algo que chama atenção é o custo dos aparelhos. Ambos os modelos foram fabricados com custos inferiores ao do mercado. O protótipo de oxigenador não invasivo foi produzido utilizando recursos e materiais internos, custando menos de R$ 150. Um aparelho semelhante no mercado custa, em média, R$ 700.

Além do custo, outra vantagem do modelo de respirador não invasivo desenvolvido pelos pesquisadores do Hospital Universitário é que, passando por assepsia, pode ser reutilizável. Em geral, as peças fabricadas no mercado só podem ser utilizadas uma vez e devem ser descartadas.

Quanto ao ventilador mecânico de oscilação, os pesquisadores não souberam mensurar o valor total investido.

“Todos os setores da UEM estão trabalhando no sentido de ajudar no combate da Covid-19. Entramos em um esforço coletivo porque é a função da nossa Universidade dar a resposta que a sociedade está precisando agora”, explica Professor Ivair Aparecido dos Santos, do Departamento de Física da UEM.

O reitor da UEM, Júlio Damasceno, lembra que nosso país tem uma grande dependência, quase que exclusiva de outros países, sobretudo da China, para compra de equipamentos, insumos, entre outros.

“O que presenciamos no HUM, é um trabalho em rede que vai auxiliar, já de imediato, as UTI’s neonatais, para crianças e também UTI’s adultas no que diz respeito à área de problemas respiratórias”, conclui Júlio Damasceno, reitor da UEM.

Segundo a superintendente do HUM, Elisabete Mitiko Kobayashi, além do ganho científico o projeto promove uma maior integração entre a UEM e HUM.

“Temos um aumento do número de casos, o número de leitos já está praticamente esgotados e esse dispositivo ajuda a acelerar o tratamento proporcionando um aumento de oxigênio disponível para esse paciente”, diz a superintendente.

Segundo Elisabete, os aparelhos dificultam a dispersão de aerossóis no ambiente onde estão os pacientes internados com Covid-19, promovendo uma segurança maior para os trabalhadores e outros pacientes do setor.

Os aparelhos desenvolvidos foram feitos sob um olhar interdisciplinar e multiprofissional, que aponta pra várias linhas de pesquisas, que envolveu também profissionais de enfermagem, fisioterapia, ciências biológicas e zootecnia.

Hospital Universitário tem mais 10 novos leitos de UTI

Desde o começo de julho o Hospital Universitário de Maringá (HUM) abriu dez novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para coronavírus. Agora, são 20 leitos de UTI e 30 de enfermaria exclusivos para tratamento de complicações decorrentes da doença.

O projeto desenvolvido prevê disponibilizar até 108 leitos de enfermaria. “São instalações de altíssima qualidade e mais uma vez o governo do Paraná priorizando investimentos na cidade”, disse prefeito Ulisses Maia durante visita ao local, acompanhado do secretário de Saúde, Jair Biatto.

Mesmo com os dez novos leitos, os médicos do HUM chamam atenção para quadro preocupante de lotação no hospital, uma vez que Maringá recebe paciente para UTI dos 30 municípios que formam a 15ª Regional de Saúde. Jair Biatto destacou que apoio do governo estadual é fundamental para ampliar capacidade de atendimento em Maringá.

Governador Ratinho Júnior esteve em Maringá no final de abril quando assinou Termo de Autorização de Repasse de R$ 15,3 milhões para HUM. Verba para medidas estaduais em prevenção ao coronavírus visando 500 novos leitos estaduais de UTI.

No HUM foram para 20 leitos de UTI mais 88 de enfermaria, somando um total 231 leitos com os 123 já em operação. Diretor Médico do HUM, Luiz Ximenes, informou que outras alas estão quase prontas para entrar em operação.

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