Após pronunciamento de Bolsonaro, Ulisses Maia diz que vai manter medidas de combate ao coronavírus

25 de março de 2020
Ulisses Maia diz que medidas adotadas em Maringá seguem embasamento técnico / Pólen Comunicação

O prefeito Ulisses Maia (PDT) disse pelas redes sociais que vai manter as medidas implantadas na cidade para combate do coronavírus. A informação veio após questionamentos dos seguidores sobre o posicionamento da prefeitura mediante o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite de terça-feira (24/3).

Em cadeia obrigatória de rádio e TV, o presidente minimizou os riscos da doença, voltou a falar em “gripezinha” e criticou autoridades e a mídia. “Devemos, sim, voltar à normalidade. Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento do comércio e o confinamento em massa”, disse.

Questionado pelos seguidores se pretendia alterar alguma medida após o pronunciamento do presidente, Ulisses Maia respondeu que não vai voltar atrás. “Sigo com a convicção de que as medidas que implementamos são corretas e vão nos ajudar no combate ao coronavírus”, escreveu.

Em outra postagem, Maia afirmou que as decisões foram tomadas com embasamento técnico. “Nós seguimos o que deu certo no mundo: o isolamento social. A principal medida para preservar vidas”, publicou.

Em Maringá, a prefeitura decretou estado de emergência em 18 de março e determinou o fechamento do comércio, com permissão de funcionamento apenas de supermercados e farmácias. O transporte intermunicipal é restrito para profissionais de serviços essenciais como saúde, segurança e alimentação.

Na segunda-feira (23/3), a prefeitura decretou toque de recolher das 21h às 5h da manhã do dia seguinte.

Boletim divulgado pela Secretaria de Saúde na terça-feira confirmou quatro casos de coronavírus em Maringá. Há 51 casos em investigação no município. Destes pacientes, 42 estão em isolamento domiciliar e nove permanecem internados. O número de casos descartados aumentou para 13.

A assessoria de imprensa do Governo do Paraná informou que o Estado manterá o planejamento e as medidas de enfrentamento à pandemia do coronavírus. Entre os deputados federais eleitos por Maringá, apenas Enio Verri (PT) e Sargento Fahur (PSD) se posicionaram nas redes sociais após o pronunciamento do presidente.

Fahur não citou o nome de Bolsonaro, mas seguiu a linha de pensamento do presidente. “Temos que tomar os cuidados necessários, sempre atentos às recomendações das autoridades, mas o pânico e a histeria são inimigos mortais. Calma. Vai passar. Já superamos o PT, e vamos superar mais essa”, publicou no Twitter.

De outro lado, Enio Verri criticou o pronunciamento e chamou Bolsonaro de “irresponsável”. “O discurso que fez hoje à noite é extremamente grave, pois contraria cientistas de todo o mundo e até as orientações dadas pelo Ministério da Saúde. Ao defender a flexibilização do confinamento social, expõe ao risco de morte milhares de brasileiros. Não está a altura do cargo que ocupa”, escreveu.

Amusep pede que as pessoas permaneçam em casa

Na manhã desta quarta-feira (25/3), a Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep) que reúne prefeitos de 30 municípios, incluindo Maringá, divulgou nota. O texto assinado pelo presidente da Amusep e prefeito de Mandaguari, Romualdo Batista, pede que as pessoas permaneçam em casa e mantenham o isolamento social.

“É com o respaldo das recomendações dos especialistas da região da Amusep, ratificada pela principal entidade de infectologia do Brasil, que solicitamos à população da nossa região, que permaneça em isolamento e saiam de suas residências, em casos, extremamente, necessários“, pediu a associação em nota.

A Amusep foi a primeira associação de municípios do país a decretar estado de emergência, com fechamento do comércio e restrição de circulação de pessoas nas ruas de todas as 30 cidades.

  • Reportagem atualizada na quarta-feira (25/3), às 13h57, com o posicionamento da assessoria de imprensa do Governo do Paraná que informou que o Estado vai manter as medidas de prevenção do coronavírus.