Conheça histórias de quem transformou o diagnóstico do autismo em superação e empatia. Semana é de conscientização em Maringá

Por: - 1 de abril de 2019
Para escritora Eliana Palma, o diagnóstico do neto Álvaro deu um novo sentido a vida dela / Arquivo pessoal

O autismo é um distúrbio no desenvolvimento infantil que impacta na interação social, comunicação, aprendizagem e na capacidade de adaptação. Para quem vê de fora, isso já seria necessário para que a pessoa diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) não pudesse fazer um curso superior ou até virar personagem de livro para conscientizar outras pessoas sobre as diferenças.

No entanto, esses exemplos são histórias reais de quem enfrentou as barreiras do autismo, a falta de informação e o preconceito. O diagnóstico nem sempre é fácil, muitas vezes chega tardiamente, porém, em alguns casos, se torna exemplo de superação, aprendizado, empatia e amor incondicional.

A escritora e membro da Academia de Letras de Maringá, Maria Eliana Palma, é avó de um anjinho azul. É dessa forma que ela descreve o neto Álvaro Braz Palma, de 8 anos, diagnosticado com autismo aos 5 anos. Porém, até conseguir o diagnóstico, a família fez uma peregrinação em médicos dentro e fora do país para descobrir que ele tinha autismo.

Após descobrir o distúrbio, a vida da família teve um novo sentido. “Anjinhos azuis melhoram a gente como pessoa, abrem o nosso coração para as diferenças”, diz. Avó de três netos, ela conta que escreveu um livro para cada um deles. O segundo e o terceiro foram lançados neste domingo (31/3) no Hotel Metrópole Maringá. Um fala da conscientização sobre o autismo, mas sobretudo de respeito a qualquer tipo de diferença.

Chamado de “A Corrente Azul” o livro conta a história de Álvaro, uma criança com autismo e que precisa enfrentar o primeiro dia de aula em uma nova escola e com outros amigos. Inicialmente, as outras crianças o recebem com estranheza, mas a professora cria uma maneira de mostrar que cada um tem dificuldades e facilidades diferentes.

Após isso, as crianças decidem criar uma corrente azul, em que cada um se dispõe a ajudar o outro naquilo que sabe fazer melhor. Não é só o nome do personagem que é igual ao do neto de Maria Eliana, a história também. O livro é baseado na experiência da mudança de Álvaro de Curitiba para Maringá há um ano.

“A gente precisa entender que não é só respeitar autista, mas também o negro, quem tem síndrome de down, quem é gordo ou magro. O ser humano é como a mão, cada dedo é diferente, mas todos são necessários. O diferente não é nem pior e nem melhor, é só diferente”, afirma.

Todo o caminho para conhecer e entender o diagnóstico de Álvaro levou a família a idealizar o Instituto Maringaense de Autismo (IMA). A ideia é que o espaço concentre as opções de tratamento para as pessoas diagnosticadas com autismo e áreas para o desenvolvimento de habilidades sociais.

Dentro do IMA, serão criados espaços como uma mini barbearia e um mini mercado para que as crianças possam desenvolver as habilidades. A previsão é que os atendimentos iniciem no segundo semestre desse ano e sejam voltados para quem não pode pagar pelo tratamento. Os livros estão à venda na recepção do Hotel Metrópole Maringá e toda renda será revertida para o IMA.

Álvaro autografando o livro escrito pela avó e baseado em uma das experiências dele / Arquivo pessoal

Advogado autista emociona na OAB

Antonio Augusto Ferreira Neto, de 24 anos, foi diagnosticado com autismo leve aos 19 anos. Na sexta-feira (29/3), ele emocionou quem estava presente na cerimônia de compromisso coletivo de novos advogados na sede da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Maringá.

Primeiro a se voluntariar para ser orador, ele discursou sobre as barreiras que teve que enfrentar para conquistar a posição como advogado. Desde a infância, Antonio Neto fazia acompanhamento com psicólogos e quando estava no ensino fundamental foi diagnosticado com imperatividade. O diagnóstico de autismo só veio durante a graduação de direito.

Ele diz que não sabe ao certo em qual área do direito vai atuar, mas que pretende trabalhar com foco em temas como autismo e deficiências. “É algo que faz parte da conscientização, mas o autismo muitas vezes é esquecido, não por maldade das pessoas, mas por elas não conhecerem sobre o assunto”, afirma.

Jovem advogado, Antonio Augusto Ferreira Neto discursou na OAB Maringá na sexta-feira / OAB Maringá

Semana é de Conscientização sobre o Autismo

No mês de conscientização sobre o autismo, a Prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria de Educação (Seduc), organiza a 1ª Semana de Conscientização do Autismo. As atividades começaram nesta segunda-feira (1/4) e vão até domingo (7/4). O objetivo é promover a conscientização, aprendizagem e o respeito sobre o tema.

O Dia Mundial de Conscientização é comemorado no dia 2 de abril. Segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa da prefeitura, a rede municipal de educação atende 530 alunos com necessidades especiais, sendo 254 autistas (154 no ensino fundamental e 100 no ensino infantil).

Confira a programação:  

2/4 – terça-feira 
′Cinema azul′ com sessão exclusiva para autistas.
Filme: o Parque dos Sonhos
Local: Cineflix Maringá Park
Horário: 10h30

Palestra: Como é ter um irmão com Autismo
Palestrante: Rebeca Cabral
Local: Auditório Hélio Moreira
Horário: 19h30
Aberta ao público

Palestra: Legislação, Autismo e as Dificuldades
Palestrante: Augusto Ferreira Neto
Horário: 19h30
Local: Auditório Hélio Moreira
Aberta ao público

3/4 – quarta-feira
Palestra: Transtorno do Espectro Autista – Um olhar do Psiquiatra da Infância e Adolescência
Palestrante: Psiquiatra infantil Dra. Raquel Proença
Local: Faculdade Santa Maria da Glória
Público: Profissionais da saúde

4/4 – quinta-feira
Apresentação cultural das crianças
Local: Auditório Hélio Moreira
Horário: 19h30
Aberta ao público

7/4 – domingo 
Caminhada de Conscientização do Autismo
Local: saída em frente ao Parque do Ingá
Horário: 9h

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