A soja brasileira terá em 2026 uma safra recorde estimada em 180,4 milhões de toneladas, segundo a Conab. Mas produzir mais não significa necessariamente aproveitar tudo.
Parte da produção é perdida ainda na colheita, durante o carregamento, no transporte e nas etapas de armazenagem. O desperdício reduz a quantidade efetivamente comercializada e aumenta o custo de toda a cadeia.
Na região de Maringá, o problema ganhou números concretos. Segundo o IDR-Paraná, a perda média na colheita da safra anterior foi de 1,75 saca por hectare.
Entre produtores participantes do Concurso de Qualidade na Colheita de Soja, a média foi de apenas 0,43 saca por hectare.
A diferença de 1,32 saca por hectare, multiplicada pelos cerca de 300 mil hectares cultivados na região, representaria 396 mil sacas adicionais de soja.
Na avaliação do IDR-Paraná, considerando o preço médio de R$ 135 por saca utilizado no levantamento, isso equivaleria a aproximadamente R$ 53,46 milhões que poderiam permanecer no complexo produtivo regional.
O problema não termina quando a soja entra no caminhão.
Durante o transporte, grãos podem ser perdidos por problemas nas estradas, veículos inadequados, excesso de carga, falhas na cobertura da carroceria e movimentação da carga.
Em 2026, a logística também continua pressionando os custos. A Conab registrou aumento dos fretes em algumas regiões durante o escoamento da safra, influenciado pela maior demanda por caminhões e pelas exportações.
No início do ano, a Conab apontou que o Arco Norte e o Porto de Santos concentravam grande parte do escoamento da soja brasileira.
Quanto maior a distância entre a propriedade e o destino, maior a importância do transporte no custo final.
Por isso, reduzir perdas na colheita e no transporte não é apenas uma questão ambiental. É também uma forma de aumentar a renda do produtor e evitar que o desperdício seja incorporado ao custo da soja comercializada.
Em uma safra de 180,4 milhões de toneladas, pequenas perdas percentuais representam milhares de toneladas que deixam de gerar receita.
No campo, no caminhão ou no armazém, cada grão perdido tem um preço.








