A eleição de 2028 ainda está distante, mas o resultado das urnas de 2026 já colocou alguns nomes no centro de uma pergunta inevitável em Maringá: quem poderá disputar a Prefeitura daqui a dois anos?
Não se trata de pesquisa eleitoral nem de previsão de resultado. Deputado estadual e deputado federal são eleições diferentes de uma disputa majoritária. Mas os votos obtidos exclusivamente em Maringá oferecem um retrato importante das bases eleitorais que alguns grupos conseguiram mobilizar.
E, nesse mapa, há pelo menos cinco nomes que chamam atenção.
Ulisses Maia: 41.465 votos
O ex-prefeito e agora deputado estadual Ulisses Maia (PSD) foi o nome mais votado de Maringá para a Assembleia Legislativa, com 41.465 votos, correspondentes a 18,73% dos votos válidos para deputado estadual na cidade.
O número tem uma particularidade: Ulisses não precisa ser apresentado ao eleitor. Ele já governou Maringá e chega a 2028 com a experiência de oito anos no comando da cidade e, agora, com mandato estadual.
A pergunta política passa a ser outra: o eleitor que votou em Ulisses para deputado repetiria esse voto numa eleição majoritária?
A resposta só poderá ser conhecida em 2028. Mas o tamanho da votação coloca seu nome, objetivamente, no debate.
Fahur: 30.674 votos e uma direita consolidada
Na eleição para deputado federal, Sargento Fahur (PL) recebeu 30.674 votos em Maringá, liderando a votação para a Câmara dos Deputados na cidade.
É uma votação que não pode ser ignorada em qualquer análise sobre 2028.
Fahur representa uma base eleitoral associada à direita e ao bolsonarismo. A questão, neste caso, é saber se essa força eleitoral poderia ser transferida para uma candidatura à Prefeitura ou se continuará concentrada na eleição proporcional.
Há ainda uma segunda questão: se Fahur não disputar a Prefeitura, para quem vai essa parcela do eleitorado?
Jacovós pode colocar a vice na disputa
O deputado estadual Delegado Jacovós (PL) teve 21.133 votos em Maringá, 9,55% dos votos válidos para deputado estadual.
Mas o cenário pode ficar mais interessante caso Jacovós não seja o candidato majoritário.
Uma possibilidade política é a entrada de sua esposa, a atual vice-prefeita, em uma eventual disputa pela Prefeitura. Nesse desenho, o grupo poderia tentar transformar a votação obtida por Jacovós em uma candidatura municipal.
É uma hipótese, não uma decisão anunciada.
E existe uma pergunta importante: o eleitorado de Jacovós seria transferido para a esposa ou precisaria ser reconstruído numa eleição majoritária?
Homero Marchese aparece como outro ponto de interrogação
Um dos resultados que mais chamam atenção é o de Homero Marchese (Novo).
Ele obteve 20.531 votos em Maringá para deputado federal, ficando atrás apenas de Fahur e Ricardo Barros entre os nomes mais votados para a Câmara na cidade.
O dado ganha importância porque Homero pode ocupar um espaço específico no cenário de 2028: o de uma candidatura de direita que não necessariamente dependeria exclusivamente da estrutura tradicional dos grandes partidos.
Sua votação permite colocar uma pergunta na mesa:
Homero consegue transformar os 20,5 mil votos de 2026 em uma candidatura municipal competitiva em 2028?
Não há resposta hoje. Mas o tamanho da votação justifica que a hipótese seja discutida.
O que os números realmente dizem?
Somando os votos dos quatro nomes — Ulisses Maia, Fahur, Homero Marchese e Jacovós chega-se a uma quantidade muito significativa de votos distribuídos entre diferentes campos políticos.
Mas há uma armadilha nessa conta.
Não é possível simplesmente somar esses votos e transformar o resultado em uma fotografia da eleição para prefeito.
Um eleitor pode votar em um deputado de determinado grupo e escolher outro candidato para prefeito. Além disso, eleição proporcional permite múltiplas candidaturas do mesmo campo político.
O que os números mostram é outra coisa: existem bases eleitorais identificáveis que poderão ser disputadas em 2028.
E aí está o ponto central da próxima eleição municipal.
O verdadeiro jogo começa agora
Até 2028, muita coisa pode mudar.
Novas alianças serão formadas. Partidos poderão trocar de comando. Vereadores poderão ganhar espaço. O governo municipal poderá alterar a percepção do eleitor. E os próprios deputados eleitos em 2026 terão dois anos para construir presença política.
Por isso, a pergunta mais interessante não é simplesmente “quem será prefeito de Maringá em 2028?”
É outra: quem conseguirá transformar uma votação de 2026 em uma candidatura majoritária capaz de chegar ao eleitor de toda a cidade?
Por enquanto, os números deixam alguns nomes no radar.
Ulisses Maia: 41.465.; Fahur: 30.674.; Jacovós: 21.133; Homero Marchese: 20.531.
A eleição ainda está longe. Mas, depois das urnas de 2026, o tabuleiro de 2028 já começou a ser montado.












